Alfabetização Científica no Processo de Ensino-Aprendizagem

Por André Luis Silva da Silva
O texto abaixo visa apresentar algumas definições encontradas na literatura referente ao significado textual do termo “Alfabetização Científica” quando o mesmo está vinculado ao processo de ensino-aprendizagem.

O termo Alfabetização Científica (AC) tem cada vez mais alcançado maior repercussão nos ambientes escolares, que vão desde a formação do professor até sua atuação em sala de aula. Contudo, o rótulo AC abrange um espectro muito amplo de significados. Segundo CHASSOT, o termo representa “o conjunto de conhecimentos que facilitariam aos homens e mulheres fazer uma leitura do mundo onde vivem” (Chassot, 2000), já de acordo com FURIÓ, são as “possibilidades de que a grande maioria da população disponha de conhecimentos científicos e tecnológicos necessários para se desenvolver na vida diária, ajudar a resolver os problemas e as necessidades de saúde e sobrevivência básica, tomar consciência das complexas relações entre ciência e sociedade” (Furió et al, 2010), já para COBERN e AIKENHEAD “caracteriza-se por ser uma via da aprendizagem em aulas de Ciências em que o aprendizado se dá por meio da aquisição de uma nova cultura, no caso, a cultura científica, considerando os conhecimentos já estabelecidos na cultura cotidiana do indivíduo” (Cobem e Aikenhead, 1998). Para FOUREZ o termo AC representa “um tipo de saber, de capacidade ou de conhecimento e de saber-ser que, em nosso mundo técnico-científico, seria uma contraparte ao que foi  a alfabetização no último século” (Fourez, 1995), sendo que para LEAL e SOUZA é “o que um público específico - o público escolar - deve saber sobre ciência, tecnologia e sociedade com base em conhecimentos adquiridos em contextos diversos (escola, museu, revista, etc.)” (Leal & Souza; 1997), e segundo HURD “envolve a  produção   e utilização da Ciência na vida   do homem, provocando mudanças revolucionárias na Ciência  com  dimensões  na democracia,  no progresso  social  e nas   necessidades  de adaptação do  ser  humano” (Hurd, 1998).

Pode-se então constatar o quanto o conceito de Alfabetização Científica permanece ainda amplo em relação aos significados aos quais é atribuído, uma vez que nem mesmo a linha de investigação é completamente esclarecida. Em relação a questionamentos de sua significação, percebe-se que geralmente as respostas fragmentam-se em três grupos: o primeiro aborda aspectos relativos ao interesse dos educandos pelas ciências, o segundo à interação das ciências aos aspectos sociais dos alunos, e o terceiro à compreensão científica da vida em um contexto geral. E cabe salientar-se que nenhum destes posicionamentos distancia-se daqueles encontrados na literatura, sendo que o termo Alfabetização Científica ainda carece de uma definição mais pontual que norteie sua aplicação no processo de ensino-aprendizagem.

Referências:                                                                              
CHASSOT, Attico.  Alfabetização Científica: questões e desafios para a educação. Ijuí: editora Unijuí, 2000.

COBERN, W.W. & AIKENHEAD, G.S. Cultural Aspects of Learning Science. Part One. Kluwer Academic Publishers, 1998.

FOUREZ, Gerard. A Construção das Ciências: introdução à  filosofia e à ética das ciências. São Paulo: editora da UNESP, 1995.

FURIÓ, C.; VILVHES, A.; GUISASOLA, J.; ROMO, V. Finalidades de La Enseñanza de Lãs Ciências em La Secundaria Obligatoria. Enseñanza de lãs ciências, v. 19, n°3, p. 365-376, 2010.

HURD, P.D. Scientific Literacy: new minds for a changing world, Science Education, v. 82, n. 3, 407-416, 1998.

LEAL & SOUZA, Alfabetização Científica no Contexto das Séries Iniciais, 1997.