Como os alunos se manifestam sobre seu interesse pelas aulas de Química? Parte I

Licenciatura Plena em Química (Universidade de Cruz Alta, 2004)
Mestrado em Química Inorgânica (Universidade Federal de Santa Maria, 2007)

Não devemos partir da ideia de que o aluno possua, a priori, profundo conhecimento em Química e que apresente, naturalmente, interesse em estudar essa ciência. A partir da compreensão do professor de que o aluno que frequenta suas aulas desenvolva, com o andamento do trabalho, interesse em aprender Química, deve dirigir seus esforços e seu conhecimento no sentido de propor estratégias para que o aluno continue interessado pelas aulas e consiga apropriar-se dos conceitos trabalhados. Para isso, torna-se imprescindível conhecer-se o conhecimento prévio deste aluno, tarefa nada fácil, conforme mais tarde será argumentada neste texto.

Na análise de depoimentos de alunos, há a indicação de alguns fatores que contribuem para que esses alunos percam o interesse pelas aulas. Com alguma exceção, todos os fatores elencados têm relação direta com a atuação dos professores em suas aulas. Independente da rede escolar à qual o aluno esteja vinculado – pública ou privada – o professor e suas escolhas têm direta responsabilidade na desmotivação dos estudantes pelas aulas.

A proposta de transmissão de informações exatas e não adaptáveis a questionamentos, alterações e construções, não toma conhecimento do atual aspecto social humano, especialmente porque não dialoga com a realidade dos alunos. De acordo com Thomas Kuhn (1962), uma mudança de paradigma nas ciências consolida-se como o ponto de partida para um ensino com utilidade, que forme sujeitos pensantes e questionadores, capazes de positivamente interagir em uma sociedade cada vez mais complexa e exigente.

A forma pela qual nós, professores, trabalhamos conceitos de Química em sala de aula em praticamente nada foi alterado nas últimas décadas. A humanidade enfrentou muitas crises existenciais e concebeu também inúmeras revoluções sociais, o que não desviou os rumos que seguimos ao abordarmos conceitos científicos. Com isso, percebe-se hoje estarem as concepções em ciências em meio a uma crise estrutural, que teve seu início já nos trabalhos de Einstein e Planck com a Física Quântica (Capra, 2006). Quando um aluno de século XXI memoriza determinado conceito e fielmente o reproduz em avaliações recebe aprovação imediata, e até sob méritos.

Entretanto, nota-se que o atual sistema metodológico não permite avaliar se este conceito reproduzido foi realmente compreendido em sua essência epistemológica, não sendo possível sequer avaliar se algum método atual utilizado pelo professor seria capaz de fazê-lo. Pois o sistema, rígido e impositivo, novamente impões-se frente ao processo pedagógico, e os alunos são vistos como números que irão refletir a ideia de um todo, no qual a suas individualidades serão desconsideradas.

Referências:

CAPRA, F.; The Web of Life. Cultrix & Amana-Key, São Paulo, 1996.

KUHN, T. S.; The Structure of Scientific Revolutions, University of Chicago Press, Chicago, 1962.

MALDANER, Otavio A. A formação inicial e continuada de professores de Química: professores/pesquisadores. 3 ed.. Ijuí: Editora Unijuí, 2006.

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