Competências no Enem: Demonstrar domínio da norma padrão da língua escrita

Por Ana Lucia Santana
O Guia do Participante do Enem de 2012 estabelece cinco competências para que os corretores da prova de redação avaliem os alunos. A primeira é o domínio do padrão escrito formal da língua. Ela se baseia na lógica de que existem diferenças marcantes entre a fala e a escrita.

Assim, a expressão textual exige formalidade, enquanto a oral pode se valer da informalidade. Isso porque a linguagem ortográfica não se assemelha à verbal, pois são métodos totalmente distintos, com suas particularidades e adaptações a cada situação específica.

Quando se escrever, por exemplo, pelo menos em um contexto protocolar, é imprescindível, na hora de elaborar o encadeamento de conceitos, a precaução contra o uso de palavras frequentes, tais como “e”, “aí”, “daí”, “então”, vinculadas à utilização em um cenário mais informal.

Por isso a necessidade de se estar ciente das diferenças entre a esfera escrita e a verbal, assim como das distinções entre formalidade e informalidade. Outra diversidade entre esses opostos se revela na hora da estruturação das sentenças. Na oralidade elas são quase sempre retalhadas, pois os agentes do diálogo têm condições de completar os dados trocados entre ambos com o cenário onde a interação se desenvolve.

Já no texto escrito as frases carecem de maiores explicações, pois o leitor não tem acesso a todos os elementos do contexto. Para a professora de redação Lilica Negrão, que leciona no cursinho pré-vestibular Oficina do Estudante, a língua formal é fruto de um mecanismo dinâmico. Segundo ela, o aluno deve conquistar esse poder de expressão na escrita ao longo dos anos. A rede virtual pode dificultar esse esforço, porém o essencial aqui é o ajuste à nova contextura e a vigilância quando estiver compondo a redação.

Outro fator importante é a pontuação, que deve orientar a estruturação do texto. É só prestar atenção na função da modulação, instrumento de destaque na linguagem oral, e nas pausas, que promovem o nexo textual. Ambas são incessantemente expressas, na escrita, por meio do ato de pontuar as frases.

Recomenda-se ao participante que produza um conteúdo límpido, definido, franco, sem rodeios. O ideal é usar palavras bem diversificadas e exatas, obedecendo sempre as regras ditadas pela norma padrão do nosso idioma. O discurso dissertativo-argumentativo, por demandar formalidade, prescreve que algumas condições fundamentais sejam preenchidas.

Entre elas, constam: a não utilização de elementos da linguagem oral e informal; a exatidão das palavras; seguir as normas gramaticais - concordância nominal e verbal; regência nominal e verbal; pontuação; flexão de nomes e verbos; posicionamento de pronomes átonos; ortografia das palavras; acentuação gráfica; uso de letras maiúsculas e minúsculas; e divisão silábica na hora de se mudar de linha.

Veja as outras competências do Enem que são exigidas:

  1. Competências no Enem: Compreender a proposta de redação e aplicar conceitos das várias áreas de conhecimento
  2. Competências no Enem: Selecionar, relacionar, organizar e interpretar informações, fatos, opiniões e argumentos em defesa de um ponto de vista
  3. Competências no Enem: Demonstrar conhecimento dos mecanismos linguísticos necessários para a construção da argumentação
  4. Competências no Enem: Elaborar proposta de intervenção para o problema abordado, respeitando os direitos humanos

Fontes:
http://download.inep.gov.br/educacao_basica/enem/downloads/2012/guia_participante_redacao_enem2012.pdf
http://www.logicocursosaliados.com.br/noticia_interna.php?id=378