Coordenador pedagógico: um mediador de conflitos

Considerações iniciais

            A escola é observada, na maioria das vezes, como um espaço de aprendizagens, onde o professor promove o ensino e o aluno o recebe de forma passiva, sem questionamento. Há ainda quem imagine que o professor é o único detentor do conhecimento e que o aluno apenas vai à escola para aprender o que o seu mestre sabiamente vai ensinar. Existe ainda uma grande maioria que enxerga a escola como sendo apenas formada pelo professor e pelo aluno. Muita ideia se faz errada sobre a escola, sobre o ensino e sobre a aprendizagem.

            Muitos profissionais contribuem para que a educação aconteça: pessoas de apoio, diretores, secretários, supervisores, coordenadores etc. É sobre este último profissional que este texto irá tratar.

O coordenador pedagógico

O coordenador pedagógico tem o seu papel fundamentado nos princípios fundamentais da educação, na relação harmônica com os professores, com os alunos e, respectivamente, com as famílias dos alunos. Coordenar os interesses pedagógicos é apontar alternativas, viabilizar recursos, reunir ideias e apresentar sugestões para que as práticas de ensino deem certo, sempre com vistas na aprendizagem significativa do aluno e na realização profissional de si mesmo e dos professores da escola.

É bem verdade que para uma prática dar certo é preciso uma série de parcerias: professor®aluno, professor®professor, professor®coordenador, coordenador®aluno, professor®direção escolar, professor®família, aluno®direção escolar etc. A educação é feita de parcerias, de compartilhamentos. A educação também é feita de humildade, de fraternidade, de respeito, de amor. Educação é a reunião de todos os princípios humanitários com os conhecimentos do mundo físico, natural e social.

A “profissão coordenador” é embasada nas relações, parcerias e definições explicitadas anteriormente. Somadas as suas atribuições, a mediação entre o conhecimento em estudo, o professor e o aluno também faz parte da função do coordenador pedagógico. Porém, mesmo destacando as várias funcionalidades deste profissional – e omitindo várias outras por conveniência – focarei o texto no objetivo que intitula este trabalho: revelar o coordenador pedagógico como um mediador de conflitos na escola, bem como fora dela.

Um mediador de conflitos

            Nem todos os momentos da educação são marcados pela harmonia de seus envolvidos. O processo natural dos conflitos ocorre pelo choque de ideais, pelas divergências políticas, religiosas, profissionais, ou pelas convicções particulares de cada um. Os conflitos advêm da capacidade natural do ser humano de pensar, em especial, quando se trata de pensamentos críticos – no sentido construtivo da palavra. Os conflitos sempre existiram e sempre irão existir, mas quando eles não são dialogados e de certa forma harmonizados, haverá sempre uma grande possibilidade de rompimento entre o ensino ideal e aprendizagem real.

            Dentre tantas outras atribuições, o coordenador pedagógico acaba assumido mais essa responsabilidade. Por ter um contato estreito com os professores e com os alunos, ele recebe alguns problemas que suscitam soluções imediatas. Nestes problemas, caso o profissional da coordenação tenha um perfil autoritário ao extremo, os conflitos tendem a aumentar, fugindo do controle e criando uma espécie de bola de neve.

            A palavra de ordem para condução de conflitos é flexibilidade. É preciso que ambas as partes envolvidas na divergência possa ouvir o outro lado, analisar a versão oposta, apreciar a proposta do opositor. Os envolvidos deverão flexibilizar as suas ideias para que outras, também importantes, possam ser inseridas na proposta em discussão. Como mediador, o coordenador pedagógico conduzirá a discussão, apontando os pontos positivos e/ou negativos, indicando a importância de ouvir todas as propostas, mostrando a importância de respeitar a opinião do próximo, sempre num clima de paz e profissionalismo.

            Em vários casos, a família é convocada à escola para torna-se ciente das condutas dos filhos lá matriculados. Isso acontece quando o professor, impotente para resolver os problemas em sala de aula, acaba transferindo o problema para a coordenação ou direção. A partir disso, no caso deste trabalho, o coordenador convoca a família, dialoga com ela, indica possíveis soluções para os problemas em andamento, aponta a importância do diálogo e do amor na criação dos filhos, bem como do suporte que a família deverá dar aos seus filhos nos assuntos escolares. Neste diálogo, ainda é apontada a importância de a família se manter sempre presente na vida escolar do estudante, desta forma, ela se torna parceira da escola, do aluno e da aprendizagem.

            Existe ainda o conflito gerado com o descumprimento do dever por parte do professor. Lembra-se que o coordenador pedagógico também é responsável pelo andamento burocrático de tudo que envolve a figura do professor, desta forma tendo que estar sempre por dentro do andamento pedagógico de todo o corpo docente. O que ocorre é que os professores acabam o encarando mais como um fiscal do que como um parceiro. Isso se resolverá facilmente quando ambas as partes estão cientes dos seus direitos e deveres e agem de acordo com o princípio do profissionalismo.

            O coordenador também media conflitos entre professores e direção, entre alunos e direção, entre alunos e pessoal de apoio ou entre professores e família etc. Este profissional é por vezes sobrecarregado pelas várias atribuições que lhes são impostas, seja pelas obrigações da função ou mesmo pela irresponsabilidade de outros profissionais que compõem a equipe diretivo-pedagógica.

“Da harmonização dos conflitos nascem boas práticas de ensino e, consequentemente, aprendizagens significativas.”

(Robison Sá)

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