O Papel da Escola Perante o Sexting e o Revenge Porn

Introdução

A educação tem passado por sérias mudanças de paradigmas e, com isso, as atribuições da escola vêm se multiplicando a cada dia. Houve um tempo em que a escola era apenas um agente de instrução. Atualmente, o papel da escola ultrapassa essa fronteira e apresenta-se nas mais variadas facetas: cuidados psicológicos, fraternos, maternos, instrutivos; cuidados com a saúde, higiene e com as relações sociais etc. Parafraseando o grande educador Bernardo Toro: A escola está tentando suportar uma carga de carreta na estrutura de um carrinho de mão.

Na atualidade, novas mazelas sociais estão a surgir e a escola já foi apontada como uma das responsáveis por conscientizar os jovens e pais dos jovens para combaterem esses males, antes que eles se disseminem de tal forma que o seu controle se torne impossível.

Sexting e revenge porn

Uma tradução livre para o termo inglês sexting seria o envio de materiais pornográficos através de aparelhos celulares. Da mesma forma, podemos traduzir revenge porn como sendo a publicação de materiais pornográficos na internet, sem o consentimento da (s) personagem (s) do vídeo, como forma de vingança. Com certeza essa é uma prática comum, que invade os noticiários a cada dia e que acaba com a autoestima e com a intimidade de jovens e adultos.

“Vivemos em uma época de culto à imagem, à celebridade. Sem pensar nas consequências, as pessoas se expõem e desejam o tempo todo ser vistas e curtidas virtualmente”, afirma a psicóloga Renata Libório. Esse fato pode ser facilmente constatado ao paginar o facebook, o twitter ou qualquer outra página de relacionamento social na internet. Os jovens, vivem de acordo com o modismo imposto pela sociedade vigente e, às vezes sem querer, acabam propagando esse modelo doentio de culto à imagem e ao capitalismo exacerbado.

Um fator determinante para este tipo de manifestação é a confiança depositada pelos jovens em seus parceiros em relacionamentos amorosos. No pico da paixão, está se tornando um costume, principalmente das meninas, o envio de fotografias sensuais, ou até mesmo de nudez, para os seus namorados. O que elas não pensam, pelo menos naquele momento, é na possibilidade de o relacionamento chegar ao fim e, por raiva ou vingança, aquele que antes fora o seu amado poderá se tornar o seu destruidor. É dessa forma que a maioria das imagens íntimas de casais vai parar na internet: pela não aceitação do término de relacionamentos.

Em outros casos, o próprio casal decide gravar a relação sexual para posteriormente publicá-la na web. Alguns nem mesmo sabem por que fazem isso e outros revelam que gostam de ser observados, desejados.

Sobre os perigos dessa prática, Renata Libório afirma que “quando um conteúdo erótico é divulgado na internet, o controle sobre ele se perde: todo mundo pode acessá-lo, e o jovem se torna motivo de piada, a ponto de começar a sofrer cyberbullying, difamação e humilhações. É provável ainda que rompa com os amigos e brigue com a família porque está emocionalmente abalado”. (p. 25)

O papel da escola

É dever da escola, inclusive previsto no Estatuto da Criança e do Adolescente, a comunicação a órgãos responsáveis de ocorrências que venham denigrir a imagem do jovem ou submetê-lo a situação de abuso. Além disso, a escola deverá atuar, principalmente, na conscientização dos seus alunos, visando o bom uso da internet e a proteção contra ações que venham acarretar prejuízos contra a sua moral.

Diante disso, é bom que se deixe claro que não adianta tirar o computador dos jovens, pois a máquina não é a culpada. É primordial que o usuário saiba os perigos e os benefícios dela advindos, diferenciando-se apenas pelas suas ações, pelos seus usos.

Ainda é papel da escola o processo de conscientização e instrução dos pais, para que eles também saibam lidar com este tipo de problema. Assim, a escola ganha aliados e se fortalece na luta contra os crimes virtuais.

Em resumo, a escola deve atuar no preparo dos jovens para uso da internet; deve buscar fortes parcerias com os pais desses jovens, instruindo-os e preparando-os para o enfrentamento desse problema; deve ainda comunicar aos órgãos responsáveis pela promoção e manutenção dos direitos da criança e do adolescente possíveis abusos e preparar os professores para lidarem com esses assuntos, através da formação continuada.

Referência bibliográfica:
LIBÓRIO, Renata. Entrevista. Revista Nova Escola, São Paulo. n. 77. p. 24-26. Abr/2014.

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