Estrôncio

Graduação em Química (UNIB, 2008)

Tendo sido nomeado em homenagem a cidade de Strontian, Escócia, onde foram encontrados os primeiros minerais, o elemento estrôncio à época (1787) não era conhecido pela comunidade científica. Adair Crawford identificou no mineral, em 1787, o que ele denominou uma “desconhecida terra”, nomeando-a estrôncio. Alguns anos depois, em 1791, Thomas Charles Hope investigou com mais profundidade o caso de Crawford, constatando a presença de um novo elemento e que o mineral produzia um efeito curioso: alterava a cor da chama de uma fogueira. Aproximadamente dezoito anos depois, Sir Humphrey Davy, na cidade de Londres, ao desenvolver procedimentos ligados à eletrólise, aplicou a metodologia usada para produzir outros elementos (como o sódio e o potássio), conseguindo isolar pequenas quantidades do elemento estrôncio em seu estado metálico. Estava então declarada à comunidade científica da época a existência de um novo elemento metálico.

Minerais como a estroncianita (SrCO3) e a celestita (SrS) se apresentam como fontes minerais do elemento estrôncio, sendo atualmente a produção deste metal liderada pela China, seguida pela Espanha e México. Os minerais passam por um ciclo de reações, objetivando a formação de cloreto de estrôncio, visando a sua eletrólise ígnea. Outros processos utilizam-se da redução do elemento estrôncio, presente em seu óxido, através da reação com alumínio em ambiente isento de ar (vácuo), necessitando aplicar-se a destilação a fim de obter o estrôncio metálico.

Estrôncio puro em uma atmosfera protetora de argônio.

Estrôncio puro em uma atmosfera protetora de argônio. Foto: Matthias Zepper / via Wikimedia Commons

O elemento estrôncio é um metal mole, de aspecto prateado e que reage com o oxigênio do ar, produzindo sobre o metal uma fina camada amarela de óxido de estrôncio (SrO). Uma vez pulverizado, este metal queima em contato com o ar produzindo uma chama carmesim (vermelho forte), sendo a pirotecnia a destinação e uso de seus sais. A indústria de tintas produz atualmente tintas que brilham no escuro, possuindo em sua formulação compostos que contém estrôncio e alumínio.

Outros setores industriais empregam sais de estrôncio, como é o caso do setor de higiene bucal que aplica em suas pastas o sal cloreto de estrôncio hexa-hidratado (SrCl2.6H2O) em pastas para pessoas com dentes sensíveis. Setores da mineração que empregam sais deste metal em seus processos, sendo o estrôncio também utilizado na produção das antigas televisões de raios catódicos (TV’s de tubo). É também utilizado na produção de imãs de terras raras, mais especificamente o imã de ferrita.

Um dos isótopos radioativos do estrôncio (Sr90) apresenta a propriedade de emitir radiação beta de alta energia, fato pelo qual se estudam aplicações na geração de energia em locais remotos (espaçonaves em viagem no espaço sideral; estações de observação climática).

Este isótopo, por se apresentar radioativo e como subproduto da fissão nuclear, representa sério risco aos seres vivos. Como possui raio atômico similar ao do elemento cálcio, pode ser absorvido pelo organismo no lugar do mesmo, sendo acomodado no tecido ósseo. Uma vez no tecido ósseo, este isótopo pode causar a destruição da intrincada malha óssea, produzindo como efeito em longo prazo o câncer no tecido ósseo. Embora não apresente função clara em nosso organismo, o elemento estrôncio é essencial para alguns corais rochosos e é também encontrado associado aos exoesqueletos de algumas criaturas abissais. Outros isótopos radioativos deste metal são utilizados em radioterapia.

Este metal faz parte do grupo dois da tabela periódica (metais alcalino-terrosos), apresentando valência Sr2+, sendo comumente um cátion bivalente nas reações em que participa.

Bibliografia:

Tabela periódica virtual da UNESP: http://www2.fc.unesp.br/lvq/LVQ_tabela/038_estroncio.html

Aplicativo “Periodic Table” – Real Society of Chemistry (RSC)

STRATHERN,P. O sonho de Mendeleiev: a verdadeira história da química. (tradução de Maria Luiza X. de A. Borges). Ed. Zahar. 2002.

KEAN, S. A colher que desaparece. (tradução de Cláudio Carina). Ed. Zahar. 2011.

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