Rubídio

Graduação em Química (UNIB, 2008)

Descoberta na década de 1760, a lepidolita (minério que contém teores maiores de lítio e potássio em sua composição) apresentava um fenômeno estranho aos mineralogistas da época.

Alguns dos testes realizados pelos geólogos e mineralogistas envolvem o emprego de calor, como o teste de chama, por exemplo. Já nesta época se desenvolviam as técnicas de redução utilizando-se carvão vegetal e o óxido do metal que se deseja obter, e justamente neste teste a lepidolita demonstrou estranho comportamento. O mineral lepidolita ao ser jogado em uma fornalha contendo carvão, começava a espumar e vitrificava, tornando-se duro e quebradiço como o vidro.

Passados cem anos desde a descoberta da lepidolita, Robert Bünsen e Gustav Kirchhoff iniciaram testes como mineral. Inicialmente dissolvendo-o em ácido, Bünsen e Kirchhoff buscavam determinar meios de separar cada uma das frações da amostra. Precipitaram então o íon potássio, porém perceberam a presença de outra substância no precipitado, sendo possivelmente outro metal alcalino. Procedendo à lavagem do precipitado com água quente (dissolvendo os íons de potássio “a quente”), solubilizando assim as substâncias que continham o elemento potássio.

Analisando o precipitado obtido em um espectroscópio, Bünsen e Kirchhoff observaram que o espectro obtido apresentava duas linhas intensamente vermelhas. Tais linhas não foram vistas antes, então ambos chegaram à conclusão de que estavam com um elemento inédito em mãos. E é desta observação inicial que se origina o nome do elemento, pois em latim “rubidius” significa profundamente vermelho. Embora tenham identificado o novo elemento e lhe fornecido o nome, Bünsen e Kirchhoff não foram capazes de sintetizar o metal em sua forma pura. Este fato ocorreu somente em 1928.

O elemento rubídio é utilizado majoritariamente no setor de pesquisa de novas tecnologias, embora encontremos utilizações mais pacatas de seus compostos. É o caso do nitrato de rubídio, utilizado na indústria de fogos de artifício, que fornece a cor púrpura ao ser queimado.

Seus sais também são utilizados para criar tipos especiais de vidro, bem como aplicados à produção de componentes de sistemas fotovoltaicos (em fotocélulas ou células fotovoltaicas), em especial os componentes ligados à foto resistência. Em aplicações mais refinadas, o rubídio pode ser utilizado para remover traços de oxigênio em câmaras de vácuo (utilizando para isso uma propriedade comum aos metais alcalinos – sua alta reatividade com o ar).

Estudos apontaram que, devido a seu grande raio atômico, o metal poderia sofrer fácil ionização, sendo cogitada sua utilização em motores iônicos. Outras aplicações tecnológicas envolvem a utilização de rubídio como o fluído de trabalho em turbinas a vapor e também na geração de energia, através de geradores termoelétricos.

Encontrado em minerais como a polucita, carnalite, leucita e lepidolita, o elemento rubídio é um metal brilhante, mole e de cor prateada. Reage com o oxigênio e a água presente no ar, gerando chama e, em presença de água líquida, reage de maneira extremamente violenta, produzindo muito calor (reação exotérmica). É produzido industrialmente pela redução de seu cloreto (RbCl) com cálcio metálico.

A atividade apresentada nos seres vivos é baixíssima, não sendo tóxico. É absorvido no lugar do potássio através da alimentação, devido à semelhança com o mesmo. Seus isótopos são utilizados na localização de tumores cerebrais em medicina nuclear.

 

Por pertencer ao grupo 1, sua valência é Rb+, formando compostos catiônicos monovalentes com suas contrapartes aniônicas.

Referências:

Tabela periódica virtual da UNESP: http://www2.fc.unesp.br/lvq/LVQ_tabela/037_rubidio.html

Aplicativo “Periodic Table” – Real Society of Chemistry (RSC)

STRATHERN,P. O sonho de Mendeleiev: a verdadeira história da química. (tradução de Maria Luiza X. de A. Borges). Ed. Zahar. 2002.

KEAN, S. A colher que desaparece. (tradução de Cláudio Carina). Ed. Zahar. 2011.

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