Anaxímenes

Mestre em Filosofia (UFPR, 2013)
Bacharel em Filosofia (UFPR, 2010)

Anaxímenes foi o terceiro filósofo da Escola Monista, precedido por Anaximandro e Tales, todos oriundos da cidade de Mileto. Graças a seus predecessores, na época de Anaxímenes, a posição filosófica hoje conhecida como "monismo material" já estava relativamente estabelecida e reconhecida como a posição que busca apresentar uma explicação para o mundo físico por meio da afirmação de que todos os objetos físicos são compostos de, ou originados a partir de, um único elemento fundamental, que atua como natureza (arche) destes objetos. Sendo esta posição, iniciada por Tales de Mileto, a primeira posição a dar uma explicação do mundo material sem fazer referência a poderes sobrenaturais da esfera mítica, iniciando portanto, não apenas a filosofia mas, a ciência ocidental.

A posição de Anaxímenes acerca do monismo foi mais próxima daquela de Tales, que defendia a água como substância primordial, do que da proposta por Anaximandro, que apresentou o conceito abstrato de apeiron, o "indefinido", como a substância fundamental. Para Anaxímenes, a substância fundamental, que se converteria nas qualidades dos objetos, deveria ser o aer. A palavra grega "aer" é normalmente traduzida como "ar", porém é importante observar que, a noção de aer proposta por Anaxímenes não é exatamente o que chamamos de ar atualmente, mas uma espécie de névoa densa, mais similar ao que chamaríamos de "vapor". Assim como as hipóteses de seus predecessores, hipótese de que todos os objetos do mundo teriam o aer como sua natureza foi desenvolvida com base em observações e estudos dos fenômenos naturais, especialmente os fenômenos de fricção e condensação.

Anaxímenes ocupou-se em refutar diretamente seu predecessor, Anaximandro, oferecendo um explicação detalhada e bem estruturada para afirmar que a natureza (arche) de todos os objetos do mundo não seria algo indefinido, como o apeiron de Anaximandro, mas algo bem definido e possível de observar. De acordo com a hipótese de Anaxímenes, quando o ar se rarefaz torna-se fogo, quando o ar condensa-se torna-se inicialmente vento, em seguida torna-se em nuvem, e ao condensar-se ainda mais torna-se água. Anaxímenes iria ainda mais longe, afirmando que o ar, ao continuar condensando-se, tornaria-se terra, que por sua vez converteria-se em pedras. O processo de fricção, que seria o responsável por tornar as pedras em terra, era visto por Anaxímenes como um processo similar a rarefação, portanto estes dois processos, fricção e condensação, demonstravam, de acordo com a visão de Anaxímenes, que o ar formaria todos os outros elementos e com isto todos os objetivos do mundo.

Anaxímenes combinou o raciocínio que o levou a sua hipótese com novas observações da natureza para oferecer explicações para diversos fenômenos naturais, para os quais anteriormente utilizava-se explicações míticas, como o desejo das divindades. Entre estas explicações constavam a formação de arco-iris, terremotos, trovões, maremotos, entre outros fenômenos, sempre levando em consideração combinações, choques e transformações dos elementos, como a ausência ou excesso de água na terra, o que aceleraria o processo de decaimento da terra, devido a esta ficar muito seca ou excessivamente úmida, criando fissuras e explicando assim os terremotos mais violentos. Por este tipo de explicação percebemos também a importância que atribuíam os filósofos da Escola Monista ao equilíbrio dos elementos, mesmo quando defendia a primazia de um elemento em relação aos outros.

Referências:
BUCKINGHAM, Will; at all. O Livro da Filosofia. Editora Globo. São Paulo, 2011.

SMITH, William. "Philola'us". Dictionary of Greek and Roman Biography and Mythology. ed. (1870).

SPINELLI, Miguel. Filósofos Pré-Socráticos. Primeiros Mestres da Filosofia e da Ciência Grega. 2ª Ed., Porto Alegre: Edipucrs, 2003

Taran, L. (1970). Anaximenes of Miletus. Dictionary of Scientific Biography 1. New York: Charles Scribner's Sons.