Erich Fromm e seu conceito de religião

O psicanalista, filósofo e sociólogo alemão Erich Fromm, nascido em 1900 na cidade de Frankfurt, descende de um clã familiar radicalmente religioso, o qual deu origem a vários rabinos. O próprio Fromm aspirava o mesmo destino, mas sua formação acadêmica o distanciou de seu desejo inicial.

Graduado em sociologia e igualmente doutorado neste campo, passou a trilhar outra vereda profissional no final da década de 20, quando deu início a seus estudos psicanalíticos no Instituto de Psicanálise de Berlim; nesta mesma época ele e sua esposa, a psicanalista Frieda Reichmann, abdicaram de sua formação judia ortodoxa.

Fromm integrou a primeira geração da Escola de Frankfurt, e foi profundamente inspirado, neste período, por sua obsessiva necessidade de decifrar a natureza humana; ele se esforçava para entender o mecanismo que levava o Homem a assumir um comportamento irracional, particularmente depois das Guerras Mundiais que marcaram definitivamente o século XX.

Do alto de sua visão humanista e laica, ele vê o fenômeno religioso como algo de que o ser humano não pode prescindir, um elemento natural de sua existência. Ele admite, porém, que nem todas as religiões provocam o bem-estar do Homem, pois algumas, as que ele classifica como autoritárias, desfavorecem a evolução e o crescimento da Humanidade.

Estas religiões demandam do fiel uma fé cega, uma devoção incondicional à instituição religiosa; elas consideram qualquer questionamento um grave delito. Já a religião humanista estimula o aprimoramento das instâncias racionais e fundamenta seus alicerces no ser humano e em seu potencial, conduzindo-o na seara do conhecimento de si mesmo, do outro e de seu lugar na esfera da criação.

A religião saudável, para Fromm, é aquela que ajuda a fortalecer o Homem em sua busca da realização pessoal. Enquanto no âmbito da instituição autoritária prevalecem o medo, a culpa e o sofrimento, na esfera da humanista preponderam a felicidade, a fé no porvir e a realização.

Erich Fromm amplia a definição de fé, transcendendo a usual conotação de crença religiosa, embora também englobe este sentido da expressão. Ele distingue entre fé racional e fé irracional. Aquela é fértil, produz bons frutos, é equilibrada e impulsiona o ser a encontrar o melhor caminho para si mesmo.

A fé irracional é agressiva e desvairada, mas não somente em relação à autoridade religiosa, e sim de uma forma mais ampla, referente a todo e qualquer poder estabelecido. O Homem, porém, não prescinde da fé; o que realmente importa é escolher que modalidade desta força o moverá, a racional ou a irracional, com a certeza de que fé e poder não convivem por muito tempo sem que esta seja negativamente afetada.

Muitas facções que não compartilham a experiência religiosa da Igreja institucional e alguns movimentos místicos da própria religião optaram pela prática do verdadeiro amor ao próximo, perceberam que o Homem tem em si o dom natural de amar e destacaram as semelhanças entre o Criador e sua criatura; estas correntes não hesitaram em exercitar a fé racional, aquela na qual Erich realmente acredita, a genuína religião humanista.

Fontes:

http://pt.wikipedia.org/wiki/Erich_Fromm

Dora Incontri e Alessandro César Bigheto. Educação e Espiritualidade. Quando, como e por que? in Dora Incontri. Educação e Espiritualidade – Interfaces e Perspectivas. Editora Comenius, Bragança Paulista, 2010, pp. 81-82.

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