Método dedutivo

Mestre em Filosofia (UFPR, 2013)
Bacharel em Filosofia (UFPR, 2010)

O método de dedutivo é o processo de raciocinar a partir de premissas para alcançar uma conclusão logicamente correta, em um ou mais argumentos. Começou a ser documentado por Aristóteles no século 4 a.C. e tem sido utilizado durante toda a história da filosofia e ciência. Se todas as premissas são verdadeiras, os termos são claros e as regras da lógica são seguidas, a conclusão é necessariamente verdadeira, o que equivale a dizer que tal conclusão permanecerá verdadeira sob todas as possíveis reinterpretações dos seus componentes, exceto as constantes lógicas, não havendo qualquer situação que nos faça rejeitar sua verdade.

Opõe-se ao método indutivo que comporta saltos de raciocínio, que não seriam justificados pela lógica. No método indutivo as premissas são vistas como fortes evidências da verdade da conclusão. Enquanto a conclusão de um argumento que se desenvolve pelo método dedutivo é certa, seja ela certamente verdadeira ou certamente falsa, em um argumento que se desenvolve pelo método indutivo, a conclusão será provável, baseada nas evidências, mas ainda assim, mesmo que com grande probabilidade indutiva para a certeza da conclusão, as premissas não ocasionam a conclusão. Como quando movemos uma afirmação acerca de indivíduos ou populações em geral e aplicamos esta afirmação a indivíduos em particular, o raciocínio indutivo sugere a verdade da afirmação, mas não garante a verdade.

O método dedutivo funciona de maneira exatamente oposta, neste método a certeza de verdade ou falsidade do argumento é garantida pela estrutura, sendo a conclusão presente nas premissas. Um dos principais modelos aos quais o método dedutivo é aplicado é o silogismo, que funciona como um exemplo simples de raciocínio dedutivo. O clássico exemplo que conclui acerca da mortalidade de Sócrates, baseando-se nas premissas que afirmam que ele é mortal e que todos os homens são mortais:

  1. Todo homem é mortal
  2. Sócrates é um homem
  3. Então, Sócrates é mortal

A primeira premissa estabelece que todos os objetos classificados como "homem" possuem o atributo "mortal". A segunda premissa estabelece que "Sócrates" é um objeto classificado como "homem", um membro da espécie humana como diríamos em linguagem ordinária, ou um membro do grupo humano. A conclusão então é derivada das premissas, estabelecendo que, o objeto "Sócrates" possui o atributo "mortal", uma vez que sabemos, através da premissa 2 que Sócrates é classificado como "homem" e através da premissa 1 que todo "homem" possui o atributo "mortal".

Os raciocínios providos pelo método dedutivo são como encanamentos desobstruídos, quando entra verdade (premissas verdadeiras), sai verdade (conclusões verdadeiras), quando entra falsidade (ao menos uma premissa falsa), sai falsidade (conclusão falsa).

Argumentos dedutivos são avaliados em termos de validade e correção (soundness). Um argumento será válido se, e somente se, a verdade de suas premissas ocasiona a verdade de sua conclusão e cada passo de tal argumento, os sub-argumentos, ou operações lógicas dentro de tal argumento, é também válido. Caso estas condições não sejam satisfeitas o argumento é declarado inválido. Em termos de correção, um argumento será dito correto se, e somente se, tal argumento é válido e suas premissas são verdadeiras. No exemplo de silogismo acima, o argumento é válido pois a conclusão segue-se das premissas e é também correto, uma vez que as premissas são verdadeiras.

Um argumento pode ser válido e ainda assim não correto:

  1. Todos os organismos com asas são capazes de voam
  2. Pinguins possuem asas
  3. Pinguins são capazes de voar

Como no primeiro exemplo, a conclusão segue-se das premissas, a estrutura do silogismo foi respeitada, mas a primeira premissa é falsa. Não é o caso de que todos os organismos com asas sejam capazes de voar.

Referências bibliográficas:

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MORTARI, Cézar A. Introdução á Lógica. UNESP 1a edição 2001.

Philip Johnson-Laird, Ruth M. J. Byrne, Deduction, Psychology Press 1991.

PINTO, Paulo Roberto Margutti. Introdução à Lógica Simbólica. UFMG 2a edição 2006.

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