O pensamento do Dalai Lama

Por Ana Lucia Santana
Dalai Lama é a denominação de uma estirpe de lideranças espirituais integrantes de um movimento originário do budismo tibetano, o Gelug, declarado legal por todas as outras facções budistas do Tibete; seu adepto é normalmente conhecido como monge ou lama. Este líder religioso também comandava politicamente o país até 1959, quando então foi obrigado a se exilar e a manter o governo no exterior, à frente da Administração Central Tibetana.

O atual Dalai Lama é Lhamo Döndrub, que adotou o nome de Jetsun Jamphel Ngawang Lobsang Yeshe Tenzin Gyatso ao assumir sua missão espiritual; ele é o 14º desta linhagem budista, uma reencarnação do bodisatva da compaixão – expressão budista que simboliza a sabedoria e a pureza.

Tenzin é um monge, doutor em filosofia budista; sua intensa e inesgotável luta pela pacificação do Planeta lhe valeu o Nobel da Paz em 1989 e inúmeros títulos honoris causa. Em 2008 o veículo Time o considerou uma das cem pessoas mais prestigiosas do Planeta. No livro Caminho da sabedoria, caminhos da paz, ele traduz de forma singela seus pensamentos, tecendo análises sobre eventos de alcance planetário, particularmente acerca dos confrontos que abalam hoje o mundo contemporâneo.

Para este monge, tão humano quanto qualquer um, ajudar o próximo é a meta máxima de sua existência. A meditação é um dos meios que este cidadão do Planeta utiliza para alcançar e transmitir equilíbrio orgânico e psíquico. Portador de um benéfico desejo de conhecer cada vez mais, o Dalai Lama constrói conexões entre o movimento budista, as doutrinas filosóficas atuais e a transformação curricular em curso nas universidades dos monastérios e nas escolas do Tibete. É por caminhos como este que ele tem disseminado a cultura do Oriente no Ocidente.

O Dalai é a personificação da tolerância, da luta pela liberdade dos indivíduos sob governos ditatoriais. Seus ensinamentos se opõem sem cessar às filosofias dogmáticas que procuram impedir o desabrochar do dom humano para a solidariedade, a fraternidade e a coexistência. Assim, as reflexões deste líder espiritual respeitado em todo o Planeta giram em torno do combate ao egoísmo, pois incentivam as pessoas a pensarem não somente em suas próprias necessidades, mas também no bem alheio.

Estudioso incansável, ele propiciou mais que qualquer outra liderança religiosa a conjunção do pensamento científico com a dimensão espiritual em 1987, ocasião na qual se uniu a cinco cientistas do Ocidente ao longo de uma semana, com o objetivo de discutir a aproximação entre a filosofia budista e as ciências.

Este encontro permitiu que surgissem em toda parte núcleos e fóruns internacionais, os quais têm por finalidade pesquisar temas relacionados às vivências espirituais, vistas agora como eventos verdadeiros, faces de uma sabedoria que desvenda, pouco a pouco, dimensões desconhecidas da consciência humana.

Para o Dalai Lama, integrante do Comitê da Coordenação Internacional para o Decênio da cultura da não-violência e da paz, o principal fator de instituição e preservação dos valores universais e da existência pacífica é a consciência da responsabilidade pessoal de cada um, a qual é indispensável para a própria manutenção da vida humana.

Fontes:
http://jcrs.uol.com.br/site/noticia.php?codn=10148
http://pt.wikipedia.org/wiki/Dalai_Lama