Shânkara

Sri Shânkara nasceu no sul da Índia, embora não se possa precisar exatamente quando se deu seu nascimento, pois na Índia nunca houve muita preocupação com os registros históricos. Para os indianos, sempre foi mais importante o conteúdo transmitido por cada um de seus entes sagrados. Afirma-se que ele permaneceu na Terra por apenas 32 anos. Revelou-se um prodígio em sua época, pois com 10 anos de idade ele já havia lido e analisado todos os textos sagrados, e se aprofundado em outras áreas do conhecimento.

Como era tradicional entre os indianos, ele foi ainda garoto para um ashrama de proeminentes mestres na floresta, obtendo lá todo saber de que necessitava, junto ao seu orientador, Govindapada. Desde cedo Shankara demonstrou ter uma mente excepcional, não só no aspecto intelectual, mas também no artístico, pois nesse período produziu também inúmeros poemas e outros textos – uma produção assombrosa. Pena que muitos deles desapareceram. Até hoje ele é concebido como um dos maiores mestres do Advaita Vedanta – uma das três escolas de Vedanta do pensamento hindu, que nega a dualidade espírito/matéria. Esta expressão provém da palavra ‘vedas’, livros sagrados da antiga Índia.

Shankara viveu num contexto de declínio cultural, no momento em que a importância do budismo reduzia-se cada vez mais. Muitas dissidências religiosas se multiplicavam e se disseminavam, abalando a convicção do povo; as superstições e as ideologias sociais negativistas predominavam, iludindo as pessoas sob as máscaras do sagrado. Assim, Sri Shankara renovou os valores, embora não produzisse nenhuma novidade; abordou problemas de sua época à luz dos ensinamentos tradicionais, mesmo sendo apenas mais um adepto da antiga prática deste aprendizado imemorial. Sua maior realização foi transmitir através do tempo as lições dos Vedas através da sua versão escrita, que atingiu os dias atuais sem nenhuma modificação em sua essência, acrescida das análises deste grande mestre.

As interpretações de Shankara são o alicerce para a transmissão tradicional da doutrina conhecida como Vedanta. Seus comentários foram adotados por todos os que lhe sucederam. Seus discípulos mais importantes foram Sureshvara, Padmapada, Totaka e Hastamalaka, cada um deles fixado em um dos quatro centros de pesquisas que o mestre edificou nas regiões principais da Índia – Sringeri, no Sul; Jagannath, a Leste; Badri, no Norte; e Dwaraka, a Oeste. Shankara, segundo os indianos, contribuiu para o hinduísmo com o dom da fé sólida, o poder da unificação e a singeleza do pensamento hindu. Graças aos seus ensinamentos, os seis sistemas teístas que haviam sido eliminados foram restituídos na sua forma original.

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