Utilitarismo

Mestre em Filosofia (UFPR, 2013)
Bacharel em Filosofia (UFPR, 2010)

O Utilitarismo é uma teoria em ética normativa que apresenta a ação útil como a melhor ação, a ação correta. O termo foi utilizado pela primeira vez na carta de Jeremy Bentham para George Wilson em 1781 e posto em uso corrente na filosofia por John Stuart Mill na obra Utilitarismo, de 1861. Até a criação do termo "consequencialismo", por Anscombe em 1958, o termo "utilitarismo" era utilizado para se referir a todas as teorias que buscavam sua justificação nas consequências das ações, em contraponto àquelas que buscam sua justificação em máximas absolutas. Após a adoção do termo consequencialismo, como uma categoria, o termo "utilitarismo" passou a designar apenas a teoria mais próxima daquela defendida por Bentham e Mill, a maximização da promoção da felicidade.

A descrição mais comum do utilitarismo diz respeito ao bem estar dos seres sencientes, aqueles que são capazes de sentir dor e prazer, em alguns casos mesmo os não humanos. Esta descrição é o motivo pelo qual, modernamente, o utilitarismo tem sido usado em discussões acerca do sofrimento de animais não humanos e aspectos éticos envolvidos com a produção de animais com finalidade alimentar. Para Bentham, utilidade é o agregado de prazeres, depois de deduzido o sofrimento de todos os envolvidos em uma ação, uma espécie de prazer liquido, que seria base para a felicidade. Stuart Mill por outro lado possuía um conceito mais amplo, focando seus esforços nas regras ao invés das ações morais individuais. Nesta conceituação Mill incluía não apenas a quantidade, mas a qualidade do prazer, o que contribuiu para a sofisticação do debate. Alguns autores por outro lado trataram de desenvolver o chamado utilitarismo negativo, que nega o valor positivo do prazer, procurando definir a utilidade em termos de sofrimento, desta forma, o mais útil seria o que causa menos sofrimento. Outras variações, como as de Henry Sidgwick, R. M. Hare e Peter Singer, incluem satisfação de preferencias e até mesmo valores morais mais arraigados no conceito de utilidade.

Atualmente todas as formas de utilitarismo enquadram-se na categoria consequencialismo, tendo as consequências das ações humanas como o padrão de certo e errado. Porém, o utilitarismo se distingue de outras formas de consequencialismo na medida em que leva em consideração o bem-estar de todos os indivíduos igualmente. Embora Bentham seja considerado o fundador do utilitarismo, o aspecto do utilitarismo que trata do prazer foi descrito historicamente como uma forma de hedonismo, e tem raízes antigas na filosofia, desde Aristippus e Epicuro, que viam a felicidade como o único referencial de bem, e associavam a felicidade ao prazer.

Uma das mais relevantes criticas ao utilitarismo foi aquela levada a cabo pelo filósofo alemão Immanuel Kant, ao formular seu conceito de Imperativo Categórico, de acordo com Kant, a maximização do bem para os envolvidos, premissa básica do utilitarismo no que concerne a ação moral em sociedade, é irrelevante do ponto de vista daqueles indivíduos que preocupam-se com a maximização do bem, ou do resultado positivo de suas ações, apenas para si mesmos, sem importar-se com as demais pessoas. Isto aconteceria, segundo Kant, pois o utilitarismo seria capaz de postular apenas imperativos hipotéticos, aqueles com a forma "se desejo X devo fazer Y", e não máximas morais que devessem ser seguidas independente das inclinações pessoais. Outros autores atacaram o utilitarianismo como uma doutrina pouco prática, uma vez que dificilmente somos capazes de antecipar os resultados de nossas ações, uma critica recorrente a todas as formas de consequencialismo. Outros ainda criticaram que o prazer não é comensurável entre pessoas com identidades e inclinações variadas e por isto a utilidade agregada seria uma impossibilidade.

Referências bibliográficas:
BENTHAM, Jeremy. Os pensadores. São Paulo: Abril Cultural, 1979

FRANKENA, Willian K. Etica. Rio de Janeiro : Zahar, 1969. 143p. (Curso moderno de filosofia). Traducao de Ethics.

MILL, John Stuart. O utilitarismo. São Paulo: Iluminuras, 2000. Tradução de: The utilitarism.

SANCHEZ VASQUEZ, Adolfo. Ética. 14. ed. Rio de Janeiro: Civilizacao Brasileira, 1993.

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