Inércia

Por Glauber Luciano Kítor
Uma das propriedades fundamentais dos corpos massivos talvez seja a inércia. Ela implica na existência da massa, a medida da quantidade de inércia de um corpo.

Bem no início da história da Física, quando ainda não havia sido formulada nenhuma das leis físicas conhecidas na modernidade, ainda não se tinha uma ideia de que esta seria uma das chaves da mecânica. Aliás, pensadores importantes, que deram importantes passos para a Física Clássica, como Aristóteles, por exemplo, não acreditavam que existisse tal propriedade (GALILEI - 1631).

Aristóteles (384–322 a.C.) acreditava que os corpos celestes estariam em movimento com velocidade constante devido a uma força atuante sobre eles, uma espécie de força motriz.

Com o passar dos tempos, algumas dessas idéias foram mudando. Mas desde aquele período até praticamente o fim do século XVI, em que viveram Galileu Galilei (1564–1642) e Isaac Newton (1643–1727) havia muita repressão por parte da igreja contra as modernidades que a ciência apresentava. Deste modo, alguns cientistas tiveram alguma dificuldade em divulgar suas ideias. Talvez isto possa ter causado um atraso no desenvolvimento da Física.

Mas depois de muito tempo de poucos avanços significativos, onde havia perdurado o modelo geocêntrico criado por Claudio Ptolomeu (87–151), surge um modelo novo criado por Nicolau Copérnico (1473–1543). Este último já apresenta ideias mais revolucionárias, que seriam consideradas até mesmo após todas as revoluções da física clássica.

Isaac Newton, depois de muitas análises acerca do movimento dos corpos, chegou a um conjunto de leis fundamentais da Física, especialmente da dinâmica. As três leis enunciadas por Newton basicamente tratam da inércia e das forças. Em 1686, Newton publica o trabalho Philosophiae Naturalis Principia Mathematica, mais conhecido como Principia. O primeiro dos três enunciados, os principias, diz:

“I – corpus omne perseverare in statu suo quiescendi vel movendi uniformiter in directum, nisi quatenus illud a viribus impressis cogitur statum suum mutare.” (FITAS -1996)

Esta é muito conhecida como lei da inércia, que em português assume a seguinte forma, conforme extraído de Física 1, HALLIDAY (1996):

considere um corpo no qual não atue nenhuma força resultante. Se o corpo estiver em repouso, ele permanecerá em repouso; se o corpo estiver em movimento com velocidade constante, ele continuará neste estado do movimento.”

Mas esta lei é válida somente para referenciais inerciais, ou seja, referenciais para os referenciais que medem uma mesma aceleração para um dado corpo. Assim, esta lei pode ser expressa da seguinte forma:

“se a força resultante que atua sobre um corpo for nula, então é possível encontrar um conjunto de referenciais nos quais este corpo não tem aceleração.”

Ou seja, se um referencial não é acelerado, consequentemente, não será observada nenhuma variação na aceleração de um corpo que não possa ser constatada em outro referencial não acelerado.

Tais conclusões podem ser feitas se analisando o caso de um objeto executando um movimento circular uniforme, por exemplo. Se forem feitas comparações quanto ao estado de repouso e de movimento, especialmente se envolvendo as forças atuantes, nota-se uma diferença entre a configuração observada por um observador neste respectivo referencial e um observador no referencial em repouso.

Esta talvez seja uma das mais sutis, que acabou por desestruturar conceitos antigos. No caso em questão, achava-se necessário a aplicação de uma força para manter um objeto em movimento, para qualquer situação. O que não é verdade, visto que, se fosse possível eliminar totalmente o atrito, um corpo em movimento iria se manter neste estado por um tempo infinito, na ausência de forças externas.

Referências bibliográficas:
Biografias, sala de Física, disponível em: (http://geocities.ws/saladefisica9/index-2.html)

HALLIDAY, David,  Resnik Robert,  Krane, Denneth S.  Física 1, volume 1,  4 Ed. Rio de Janeiro:  LTC,  1996.  326 p.

FITAS, Augusto J. Santos, , Os Principia de Newton, alguns comentários (Primeira parte, a Axiomática),  1996,  Vértice, 72,  61-68.

GALILEI, Galileu.  Diálogo sobre os dois massimos sistemas de mundo: Ptolemaico e Copernicano. trad.  Pablo R. Mariconda.  São Paulo:  Discurso Editorial,  2001. 882 p.