Bumba meu Boi

Por Thais Pacievitch
O bumba-meu-boi é uma dança folclórica típica do norte e nordeste brasileiro, que acontece em meados de novembro a janeiro.

Ela mistura a dança e a representação teatral, onde os personagens são humanos e animais fantásticos, principalmente o boi. A história mistura sátira, comédia, tragédia e drama, na qual a figura do homem é frágil diante da força bruta do boi. A história é contada através de cantos e declamações, e os acontecimentos permeiam a vida, morte e ressureição de um boi.

Os personagens principais são: o boi estimado, o fazendeiro branco, dono do boi, o vaqueiro negro e sua mulher cabocla. Nas diferentes regiões do norte e nordeste, há uma variação quanto ao personagem principal. Em alguns locais é o boi, e em outros é o vaqueiro que rouba o boi.

Há uma grande variação também nos nomes atribuídos aos personagens. O boi pode ser chamado de Mimoso, Barroso ou Estrela. O vaqueiro tem nomes como Pai Francisco, Mateus, Fidélis, Nego Chico, Sebastião, entre outros. Já o fazendeiro é conhecido por: Capitão Boca Mole, Senhor Branco, Capitão-do-Mato, Capitão-Marinho, Amo, Patrão, Coronel, Comandante, etc.

A representação conta com alegorias muito coloridas, sendo que a alegoria do boi é feita com uma armação de madeira coberta por tecidos bordados, na forma de um touro. O homem que fica dentro desta alegoria é chamado de "miolo do boi”.

O enredo é diferente de região para região. Com pequenas modificações, através da dança e da cantoria, a história contada é a seguinte: a mulher de um vaqueiro, grávida, tem o desejo de comer língua de boi. O vaqueiro rouba o boi do fazendeiro para satisfazer o desejo da mulher. O fazendeiro é muito apegado ao boi, e mobiliza vários outros personagens coadjuvantes na busca pelo boi. A diferença mais comum é a questão moral. Vilões e mocinhos variam em cada auto.

O destino do boi também é variado. Em alguns autos ele adoece e morre, em outros sobrevive, e em algumas versões morre, porém ressuscita.

Segundo historiadores, o bumba meu boi tem origem na cultura européia (espanhola e portuguesa), africana e indígena. A tradição no norte e nordeste é iniciar a festa do boi em frente à casa de quem convidou o grupo, que alias é quem patrocina a festa.