Congado

Por Fernando Rebouças
A lenda de Chico-Rei revela que a origem das festas do Congado está ligada à igreja Nossa Senhora do Rosário dos Pretos. Segundo a lenda, Francisco, escravo batizado com o nome de Chico-Rei, era imperador do Congo e veio para Minas Gerais com mais de 400 negros escravos.

Na sofrida viagem, Francisco perdera a mulher e os seus filhos,sobrevivendo apenas um. Chico-Rei instalou-se em Vila-Rica, trabalhou nas minas e somando o trabalho de domingos e dias santos, conseguiu realizar a economia necessária para comprar a sua alforria e a do filho. Chico-Rei dançou na igreja para comemorar a alforria.

Posteriormente, obteve a alforria de seus súditos de nação e adquiriram a mina da Escandideira. Casou-se com uma nova rainha e o prestígio do “rei preto” foi crescendo.

Organizaram a irmandade do Rosário e Santa Efigênia e construíram a igreja do alto da santa cruz. Por ocasião da festa dos Reis Magos,em janeiro,e na de Nossa Senhora do Rosário,em outubro, havia grandes solenidades generalizadas com o nome de “Reisados”.

Nestas solenidades, Chico-Rei coroado, antes da missa cantada,aparece com a rainha e a corte, vestido de ricos trajes; e seguidos por dançarinos e músicos.

Os batedores, na festa, seguem com caxambus, pandeiro marimbas, canzás em intensas ladainhas.

O congado também é conhecido como “congada” ou “congo”, um festejo popular religioso afro-brasileiro mesclado com elementos religiosos católicos,com um tipo de dança dramática na coroação do rei do Congo,em cortejo com passos e cantos, onde a música é o “fundo musical” da celebração.

É um movimento cultural sincrético,um ritual que envolve danças, cantos, levantamentos de mastros, coroações e cavalgadas, expressos na festa do Rosário plenamente no mês de outubro. São utilizados instrumentos musicais como cuíca, caixa, pandeiro e reco-reco, os congadeiros vão atrás da cavalgada que segue com uma bandeira de Nossa Senhora do Rosário.

Na antiga capela de Nossa Senhora do Rosário dos Pretos,inaugurada no início do século XVIII, até ser completada em 1750, foi criada a Irmandade de Nossa Senhora do Rosário dos Pretos, como já citado,para zelar e cuidar das tradições da santa padroeira dos escravos.No fim do festejo coroa-se o rei e a memória de uma cultura afro-brasileira.