Maracatu

Por Fernando Rebouças
Algumas publicações afirmam que o “Maracatu” é um festejo, um folgueto criado pelor negros brasileiros. Porém, sua origem está ligada às festas em homenagem aos Reis Magos inseridas pelos catequistas. As imagens tradicionais ao redor do nascimento de Jesus foram adaptadas com as imagens das etnias brasileiras, por meio da inclusão de elementos indígenas e africanos.

Porém, o festejo do “maracatu” tem sua origem cultural oriunda das coroações de Reis do Congo a partir do século XVIII, nas igrejas de Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos, com a representação de índios, negros e da corte.

O cortejo é aberto pela baliza que marca o passo ao lado da porta-estandarte, seguidos pelos índios, negras e baianas, negra da  calunga, negra do incenso, balaieiro, pretos velhos, vassalo, batuqueiros e macumbeiro. A corte é representada pelo rei e rainha.

O termo maracatu também se refere a um ritmo musical, popularmente conhecido como “baque virado”, muito utilizado pelo Maracatu Nação, uma manifestação cultural de música folclórica afro-brasileira.  Há também o maracatu rural, onde há a presença dos caboclos de lança, também referido como “maracatu de baque solto” com organização diferente do “maracatu nação”.

Entre os anos 1970 e 1990, o maracatu influenciaria a MPB (Música Popular Brasileira), a música “Maracatu Atômico” foi composta por Nelson Jacobina e Jorge Mautner, gravada por Gilberto Gil em 1973, e pelo próprio Mautner em 1974; foi regravada pelo grupo Chico Science & Nação Zumbi no ano 1996. Nessa fase o maracatu estaria expresso no movimento manguebeat. Leia a seguir a letra da música “Maracatu Atômico”:

Maracatu Atômico

O bico do beija-flor, beija a flor, beija a flor
Toda fauna-flora agora grita de amor
Quem segura o porta-estandarte
Tem a arte, tem a arte
E aqui passa com raça eletrônico maracatu atômico
 
Anamauê, auêia, aê
Anamauê, auêia, aê
Anamauê, auêia, aê
Anamauê
 
Atrás do arranha-céu tem o céu tem o céu
E depois tem outro céu sem estrelas
Em cima do guarda-chuva, tem a chuva tem a chuva,
Que tem gotas tão lindas que até dá vontade de
Comê-las
 
Anamauê, auêia, aê
Anamauê, auêia, aê
Anamauê, auêia, aê
Anamauê, auêia, aê
 
No meio da couve-flor tem a flor, tem a flor,
Que além de ser uma flor tem sabor
Dentro do porta-luva tem a luva, tem a luva
Que alguém de unhas tão negras e tão afiadas esqueceu
De pôr
 
Anamauê, auêia, aê
Anamauê, auêia, aê
Anamauê, auêia, aê
Anamauê, auêia, aê
 
No fundo do para-raio tem o raio, tem o raio,
Que caiu da nuvem negra do temporal
Todo quadro negro é todo negro é todo negro
Que eu escrevo seu nome nele só pra demonstrar o meu
Apego
 
Anamauê, auêia, aê
Anamauê, auêia, aê
Anamauê, auêia, aê
Anamauê, auêia, aê
 
O bico do beija-flor, beija a flor, beija a flor,
Toda fauna flora agora grita de amor
Quem segura o porta-estandarte
Tem a arte, tem a arte
E aqui passa com raça eletrônico maracatu atômico
 
Anamauê, auêia, aê
Anamauê, auêia, aê
Anamauê, auêia, aê
Anamauê, auêia, aê...

Fontes:
http://pt.wikipedia.org/wiki/Maracatu_(ritmo)
http://pt.wikipedia.org/wiki/Maracatu_Na%C3%A7%C3%A3o
http://pt.wikipedia.org/wiki/Maracatu_Rural
http://pt.wikipedia.org/wiki/Maracatu_At%C3%B4mico
http://letras.mus.br/chico-science-e-nacao-zumbi/45210/
http://portodeluanda.maracatu.org.br/sobre-o-maracatu/origem-do-maracatu/
http://www.nacaofortaleza.com/bra/marace.htm