Dominância

Mestrado em Genética (UFMG, 2011)
Graduação em Ciências Biológicas (PUC-Minas, 2008)

A dominância é um tipo de interação de alelos de um mesmo gene, na qual o fenótipo de um de um alelo mascara o segundo alelo no mesmo locus. O alelo mascarado pelo alelo dominante é chamado de alelo recessivo. Para um alelo recessivo produzir um fenótipo recessivo, é preciso que o indivíduo tenha duas cópias desse alelo, uma proveniente de cada um dos pais. Normalmente, os alelos dominantes são representados por letras maiúsculas e os alelos recessivos por letras minúsculas.

Gregor Mendel, o pai da genética, foi quem contribuiu para a definição do conceito de dominância. Ele observou que um indivíduo heterozigoto (com um alelo dominante e um recessivo para um gene) mostrava o mesmo fenótipo dominante apresentado pelo pai homozigoto e então concluiu que havia algumas características que dominavam sobre outros caracteres herdados.

Em genética existem três tipos de dominância: a dominância total ou completa, a dominância incompleta ou parcial e a codominância. O tipo mais comum é a dominância total ou completa, onde um alelo completamente dominante impede a expressão do segundo alelo, que será completamente recessivo. Nestes casos, não é possível diferenciar fenotipicamente um indivíduo homozigoto dominante de um heterozigoto.

A dominância incompleta ou parcial é um fenômeno no qual um indivíduo com genótipo heterozigoto apresenta um fenótipo intermediário entre o homozigoto recessivo e o homozigoto dominante. O exemplo mais clássico de dominância incompleta é o da planta Maravilha. Neste caso, o cruzamento da planta homozigoto de flores vermelhas com a planta homozigoto de flores brancas resulta numa geração de plantas heterozigoto com flores cor-de-rosa. E o cruzamento entre as plantas com flores cor-de-rosa produz ¼ de plantas com flores vermelhas, ½ com flores cor-de-rosa e ¼ com flores brancas.

A codominância ocorre quando um indivíduo heterozigoto apresenta um fenótipo onde há a expressão simultânea de ambos os alelos. O exemplo mais simples de codominância é o sistema sanguíneo humano ABO. No gene deste sistema existem três alelos: o A (IA), o B (IB) e o O (i), onde IA e IB são codominantes entre si e ambos são dominantes sobre o alelo i. Assim, a combinação destes alelos resulta em 6 genótipos diferentes (três homozigotos e três heterozigotos) e 4 fenótipos diferentes: tipo A (IAIA, IAi), tipo B (IBIB, IBi), tipo AB (IAIB) e tipo O (ii).

Existe ainda em dominância uma condição chamada sobredominância. A sobredominância é considerada uma vantagem genética do heterozigoto, pois o fenótipo do heterozigoto se apresenta fora do intervalo fenotípico de ambos os pais homozigóticos, resultando em uma espécie de benefício ao heterozigoto. O exemplo mais conhecido de sobredominância é a anemia falciforme que confere resistência à malária. Em homozigose dominante, os indivíduos são normais e as hemácias não se afoiçoam, e em homozigose recessiva, os afetados tem anemia grave incompatível com a vida. Já os indivíduos heterozigotos não apresentam a anemia, mas suas hemácias se afoiçoam sob baixas concentrações de oxigênio e, esta condição impede a conclusão do ciclo de vida do parasita causador da malária e faz com que heterozigotos tenham menos efeitos fisiológicos e uma resistência parcial para a malária.

Muitos genes apresentam polialelia ou alelos múltiplos, ou seja, três ou mais alelos para uma mesma condição. Quando estes alelos interagem apresentando efeitos diferentes sobre o fenótipo, esta interação pode ser classificada como dominância em série. O padrão de pelagem em coelhos é o ilustra essa condição. O alelo C (pelagem aguti ou selvagem) é o dominante sobre os demais; o alelo cch (pelagem chinchila) é o segundo dominante; o alelo ch (pelagem himalaia) é o terceiro em dominância; e o alelo ca (pelagem albina) é recessivo em relação aos demais. Simplificando C > cch > ch > ca.

Referências Bibliográficas:
Griffiths, A. J. F., Wessler, S. R., Lewontin, R. C., Carroll, S. B. Introdução à genética. 9. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2009.

Miko, I. Genetic dominance: genotype-phenotype relationships. 2008.  Nature Education. 1(1):140.

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