BRICS (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul)

BRICS é um acrônimo que representa os cincos países emergentes que possuem elevado potencial econômico e rápido crescimento mundial: Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul. Estes países possuem diversas características semelhantes como: países com maior extensão territorial, riqueza de matéria prima, disponibilidade de mão de obra barata (destaque para a Índia), concentram 42% da população mundial, potencial militar (Rússia e China) e grande mercado interno.

Países do BRICS. Ilustração: GrAl / Shutterstock.com

Países do BRICS. Ilustração: GrAl / Shutterstock.com

Foi estimado que o PIB do BRICS em 2014 superou US$ 17 trilhões, aproximando-se do PIB dos Estados Unidos.

O grupo BRICS não é considerado um bloco econômico, pois não possui integração econômica e nem política como, por exemplo, o Mercosul e a União Europeia. Outra diferença, é que o BRICS não possui um secretariado fixo. Por fim, o que se pode considerar do BRICS é que são potências econômicas que se uniram para melhorar o seu desenvolvimento, criando espaços de discussão para elaborar planos de ação.

O termo BRIC foi criado em 2001 e apareceu pela primeira vez no relatório de investidores do Goldman Sachs, um dos maiores bancos de investimentos. Neste documento, chamado de “Building Better Global Economic BRICs”, Jim O’Neill, chefe de pesquisa, destacou que quatro países emergentes como o Brasil, Rússia, Índia e China apresentavam um acentuado crescimento econômico podendo superar em 2050 os países ricos.

Esse relatório demonstrou que esses países apresentavam um potencial econômico e os próprios países começaram a se articular no propósito de melhorar seu desenvolvimento de forma conjunta. Futuramente, este grupo pode desempenhar uma integração econômica.

A partir de 2006 os países estreitam suas relações políticas e iniciam reuniões para fortalecer seu propósito e elaborar planos de ações.

No dia 16 de junho de 2009 ocorre a primeira reunião formal dos quatro países na cidade de Ecaterimburgo (Rússia). Nessa reunião, o grupo analisou a conjuntura econômica que aprofundou a desigualdade social nos países pobres e criticou a hegemonia norte-americana. Ainda nessa reunião, foi proposta a continuidade da cooperação entre os países.

A segunda reunião da cúpula ocorreu em Fortaleza no Brasil no dia 15 de abril de 2010. Essa reunião marca um novo ciclo do BRICS ao estimular políticas públicas para inclusão social e o apoio ao desenvolvimento sustentável e a decisão de que o crescimento econômico do grupo será usado para diminuir os níveis de pobreza.

Em 14 de abril de 2011 é realizado a III Cúpula em Sanya na China. Nesta reunião é marcada oficialmente a inserção da África do Sul ao grupo. Com o novo país o acrônimo recebe a letra “S” (de South Africa). Nessa reunião é reforçada a assistência mútua para o desenvolvimento comum entre os países e com outros países emergentes.

A IV Cúpula ocorre em Nova Délhi na Índia no dia 29 de março de 2012. Nessa reunião o grupo discute e demonstra preocupação com o FMI.

No dia 27 de março de 2013 é realizado a V Cúpula em Durban na África. É discutido pela primeira vez uma possibilidade de criar uma rede de segurança financeira entre os países dos BRICS.

A VI cúpula ocorre novamente em Fortaleza no dia 15 de abril de 2014. Nessa reunião é oficializado dois instrumentos econômicos com a função de aumentar o crescimento econômico dos países do BRICS.

O primeiro instrumento é o Novo Banco de Desenvolvimento (NBD), popularizado de Banco dos BRICS, que é uma alternativa ao FMI e Banco Mundial (dois principais órgãos financeiros e nascidos no acordo de Bretton Woods em 1944) para emprestar dinheiros a outros países emergentes com disponibilidade de US$ 100 bilhões de dólares. Segundo Anton Siluanov, ministro de finanças da Rússia, em reunião com o G-20, afirmou que o NBD priorizar o desenvolvimento de energia verde.

O segundo instrumento é o Arranjo Contingentes de Reservas (ACR) que é um fundo de reservas em torno de US$ 100 bilhões de dólares para garantir financeiramente os países do BRICS em virtude da crise mundial, garantido o balanço positivo de pagamento.

O BND e ACR foram inaugurados na VII cúpula em Ufa, Rússia, no dia 9 de julho de 2015 e marca um momento histórico dos BRICS, pois representa uma reformulação na geopolítica mundial.

Bibliografia:
BRASIL. Ministério das Relações Exteriores. Informação sobre os BRICS. Disponível em: http://brics.itamaraty.gov.br/pt_br/

CARTA CAPITAL. Novo Banco de Desenvolvimento: o caminho dos BRICS para uma economia verde? Politike. Disponível em : http://politike.cartacapital.com.br/novo-banco-de-desenvolvimento-o-caminho-dos-brics-para-uma-economia-verde/

G1. Banco de desenvolvimento do BRICS entra em operação. Disponível em: http://g1.globo.com/economia/noticia/2015/07/banco-de-desenvolvimento-do-brics-entra-em-operacao.html

PARANÁ (Estado). Secretaria da Educação. O que são BRICS. Disponível em: http://www.geografia.seed.pr.gov.br/modules/conteudo/conteudo.php?conteudo=166