Sertão Mineiro

Por Caroline Faria
O sertão de Minas Gerais compreende toda a mesorregião norte do estado mas, não necessariamente, toda ela se encaixa na acepção mais comum dada à palavra “sertão”: como lugar de clima semi-árido e um tanto arcaico.

Comumente, a denominação de sertão mineiro é usada também para delimitar uma região ainda mais ampla ao longo de todo o curso do Rio São Francisco dentro do estado e ainda de alguns de seus afluentes como o rio Verde Grande, rio Grande e Paraopeba, além de outros, envolvendo, portanto, parte da região noroeste do estado.

Tão contado e cantado por artistas como João Guimarães Rosa em “Grande Sertão: Veredas” (1956), os sertões mineiros são vários. Ao mesmo tempo em que concentra municípios extremamente pobres, também é o local de municípios desenvolvidos que concentram grande parte da produção mineira de frutas possibilitada pela técnica cada vez mais aplicada de irrigação.

Embora não tão desenvolvido quanto as regiões mais ao sul do estado, o sertão de Minas Gerais é diferente daquele sertão castigado e sempre seco nordestino também tão retratado pela nossa literatura.

Como apresenta um clima mais ameno em algumas regiões e uma grande quantidade de “veredas”, como usou Guimarães Rosa para descrever os inúmeros riachos que cortam a região, podemos encontrar extensos campos prosperamente utilizados para pastagem e matas além do cerrado e da caatinga.

A região é extremamente plana, ainda mais se comparada aos extensos relevos montanhosos da região mais a oeste e sul do estado. Aliada ao solo, bastante poroso e pouco profundo possibilita o escoamento fácil das águas das chuvas fazendo surgir rios intermitentes que vão engrossar o “Velho Chico”.

A colonização da região, que já era habitada por nativos, se deu por volta de 1690 através de dois movimentos distintos: os vaqueiros vindos da Bahia que seguiam o curso do rio São Francisco e bandeirantes paulistas. Matias Cardoso, Gonçalves Figueira e Januário Cardoso são alguns dos nomes dos que se aventuraram por aquelas terras estabelecendo os primeiros povoados e vilas.

Devido a essa influência, desenvolveu-se na região, primeiramente a criação de gado favorecida pelo regime de sesmarias na região que até certo tempo, no início da colonização, pertencia às capitanias de Pernambuco (a margem esquerda do rio São Francisco) e da Bahia (margem direita). Junto com a pecuária desenvolveu-se a agricultura de subsistência e a caça facilitada pelas grandes reservas de salitre, matéria prima para fabricação de pólvora, na região de Formigas, Januária, Cotendas, Coração de Jesus e Manga.

Atualmente a região concentra mais de 100 municípios. Alguns poucos pólos industriais como Montes Claros, Pirapora (norte) e Unaí (noroeste) e cidades que tem na agricultura irrigada a principal fonte de desenvolvimento como Jaíba onde está sendo implementado um projeto do Governo Federal junto com o Governo do Estado para o desenvolvimento da agricultura irrigada na região.