Sistema Cantareira

Por Ana Lucia Santana
O Sistema Cantareira ou Sistema Produtor de Água Cantareira, conhecido atualmente como um dos maiores do Planeta, foi constituído em meados de 1960, como uma iniciativa do governo de São Paulo para transformar o abastecimento de água da área metropolitana paulista em um processo mais resistente.

Sistema Cantareira (clique para ampliar)

Para tanto, várias represas foram construídas próximas às nascentes da bacia do Rio Piracicaba, com o objetivo de transplantar água deste complexo para a Bacia do Alto Tietê, produzindo assim o suficiente para prover a Grande São Paulo - 8,8 milhões de habitantes das zonas norte, central, uma fração das regiões leste e oeste -, os municípios de Franco da Rocha, Francisco Morato, Caieiras, Osasco, Carapicuíba e São Caetano do Sul, sem esquecer da porção que cobre as cidades de Guarulhos, Barueri, Taboão da Serra e Santo André.

Este Sistema abrange um espaço que compreende 2.279,5 Km², incluindo quatro cidades mineiras - Camanducaia, Extrema, Itapeva e Sapucaí-Mirim -, e 8 municípios em São Paulo - Bragança Paulista, Caieiras, Franco da Rocha, Joanópolis, Nazaré Paulista, Mairiporã, Piracaia e Vargem.

São cinco as bacias hidrográficas que compõem o Sistema Cantareira, somadas aos seis reservatórios conectados entre si por túneis subterrâneos não naturais, aos canais e bombas que perfazem uma média de 33 m3/s para o consumo de metade da população da região metropolitana de São Paulo. Este potencial hidrográfico diminui a quantidade de água produzida pelo Rio Piracicaba e por seus afluentes.

Na Bacia do Alto Tietê a contribuição vem do rio Juquery; na do Piracicaba a água flui dos reservatórios Jaguari-Jacareí, os quais em grande parte banham Minas Gerais; também o Rio Cachoeira, integrante do Sistema, está localizado em solo mineiro. Sendo assim, 45% do potencial hidrográfico procede do estado de Minas.

A Sabesp foi a responsável pela construção de represas essenciais para o fornecimento de água própria para consumo em São Paulo – Paulo de Paiva Castro e Atibainha. Suas águas fluem até a represa Paulo de Paiva Castro e então são conduzidas por tubulações até a Estação Elevatória de Santa Inês, a qual jorra seu potencial hidrográfico para o topo da Serra Cantareira e daí para a Estação de Tratamento de Água de Guaraú.

Mudanças drásticas no ambiente em que o Sistema Cantareira está localizado ocorreram desde que ele foi implantado. Esta área, que era um território essencialmente rural, se transformou gradualmente, à medida que os reservatórios e as estradas que cruzam a região foram edificados, subvertendo a disposição social e econômica das cidades que compõem o complexo abastecedor.

Este meio, antes preservado como um recanto natural, está cada vez mais sujeito à ação humana, como define uma expressão criada recentemente justamente para descrever o fenômeno da interferência do Homem no ambiente a sua volta – o meio antrópico. O ser humano ocupa 73% da região. Hoje é possível encontrar na Cantareira somente 21% do solo preenchido pela Mata Atlântica, o que certamente causa inquietação nesta era de aquecimento global.

Fontes:
http://www.mananciais.org.br/site/mananciais_rmsp/cantareira
http://www.mananciais.org.br/site/documentos/mapas
http://pt.wikipedia.org/wiki/Sistema_Cantareira