Abertura Política

Por Francisca Gracilene Teixeira Terto
A abertura política brasileira foi um processo de desestabilização da estrutura do Regime Militar à época predominante no País. Inicia-se em 1974 com o governo do General Ernesto Geisel e termina em 1985 com o mandato de João Baptista Figueiredo, ano em que a ditadura militar é extinta.

João Figueiredo

O General Ernesto Geisel assumiu a presidência em 1974 com o projeto de “distensão lenta, segura e gradual”. Os ideais de Castelo Branco (primeiro presidente da Ditadura militar) voltavam a ser citados, Castelo Branco almejava institucionalizar a “revolução” que fora feita para salvar a democracia além do mais, a imagem dos militares estava começando a ser questionada após, as dezenas de torturas praticadas contra estudantes  e operários mortos e desaparecidos nos anos de chumbo. A idéia era abrandar o regime e permitir algumas pequenas liberdades e posteriormente retirar os militares do governo.

O País passava por uma crise econômica que se agravava a cada dia. O elevado preço do petróleo e as altas taxas de juros internacionais desequilibravam o balanço brasileiro de pagamentos e estimulava a inflação, no entanto, apesar de todos esses problemas econômicos e também sociais o governo não cessa o ciclo de expansão econômica iniciado nos anos 70 aumentando o desemprego.

Para mostrar suas intenções, Geisel puniu os militares que estavam envolvidos nos assassinatos do jornalista Wladimir Herzog e do operário Manuel fiel Filho, vítimas de torturas pelo DOPS, em 1977 suprimiu o famigerado Ato Institucional numero 5. No entanto no ano de 78 usou o mesmo ato que havia extinguido meses antes para fechar o Congresso Nacional e aprovar o Pacote de Abril, em seguida a aprovação dos "senadores biônicos".

Em 1979 João Batista Figueiredo assumiu a presidência do Brasil, sua administração promoveu uma frouxa transição para os civis.  Em seu discurso ao vencer as eleições promete “a mão estendida em conciliação jurando fazer “deste País uma democracia” no plano político concedeu anistia ampla geral e irrestrita aos políticos cassados pelos atos institucionais, permitiu o retorno ao Brasil dos exilados pelo regime militar. Também extinguiu o bipartidarismo. A reforma política é aprovada os partidos, MBD e ARENA são abolidos passando a existir o  pluripartidarismo no País.

A reação dos militares foi negar a democracia; resistiram com bombas  em todo o País, pessoas foram presas, assassinadas e casas de shows foram atacadas, sendo um dos mais famosos o atentado do Riocentro ocorrido véspera do dia do trabalho. Na ocasião nomes da MPB estavam se apresentando a mais de 20 mil pessoas quando uma bomba explodiu  dentro de um carro no estacionamento matando dois policiais, ambos ligados ao DOI-CODI. A bomba teria explodido enquanto estava sendo confeccionada para ser colocada na caixa de energia da casa de show, porém algo saiu errado.

O objetivo dos militares era acusar a extrema direita. O atentado do Riocentro repercutiu no mundo todo e deu abertura para o processo de anistia no País. A sociedade definitivamente rejeitava a Ditadura Militar e expressa esse desejo nas eleições realizadas nos anos seguintes, não elegendo nenhum candidato militar. Em 1984 a campanha Diretas Já se inicia a população parti as ruas exigindo mudança.