Governo de Emílio Médici

Por Emerson Santiago
Emílio Garrastazu Médici exerceu o vigésimo período de governo republicano, de 30/10/1969 a 15/03/1974. Militar, nasceu na cidade de Bagé, Rio Grande do Sul, e foi um dos simpatizantes do golpe militar de abril de 1964. Com o afastamento do segundo presidente da era militar, Arthur da Costa e Silva, seu nome foi indicado pelo Alto Comando do Exército à sucessão presidencial. Através de eleição indireta, foi eleito presidente da República em 1969.

emilio-mediciDois tópicos marcaram o governo do general Médici: no campo econômico, o progresso que o país avançou, permitindo ao regime conquistar seus maiores índices de popularidade. Por outro lado, a repressão aos opositores era cada vez mais intensa, em todos os aspectos, atingindo até mesmo a carta magna.

O chamado “milagre brasileiro” se deu a partir de uma conjuntura internacional favorável, onde uma expansão inédita da economia brasileira proporciona alguma melhora na vida do brasileiro médio. Esse “milagre” ficava expresso no crescimento do PIB, na estabilização dos índices inflacionários, da indústria, do emprego e do mercado interno.

No governo Médici, testemunhamos o auge das grandes obras do regime militar. Como exemplo, temos o Plano de Integração Nacional, que previa a construção das rodovias Transamazônica, Cuiabá-Santarém e Manaus-Porto Velho. Em 1972 era inaugurada a refinaria de petróleo de Paulínia, em São Paulo, a maior do país. Em 1973, o Brasil assinou dois importantes acordos: com o Paraguai, para a construção da usina hidrelétrica de Itaipu. No ano seguinte, foi inaugurada a maior usina hidrelétrica da América do Sul, na Ilha Solteira, e a ponte Presidente Costa e Silva, ligando o Rio de Janeiro a Niterói; com a Bolívia era assinado o acordo para a construção de um gasoduto entre Santa Cruz de la Sierra e Paulínia.

Com o novo presidente entrara em vigor a emenda constitucional nº 1 (também conhecida como Constituição de 1969) que praticamente reescrevia a constituição de 1967, incorporando as medidas de exceção previstas no ato institucional nº 5 (AI-5). Tais mudanças eram apenas o aspecto jurídico de um período marcado por forte repressão política, da censura aos meios de comunicação e pelas denúncias de tortura aos presos políticos.

Parte da esquerda se fragmenta em várias organizações que optam pela luta armada, tanto no campo quanto na cidade. Dois focos de guerrilha rural se destacaram: Ribeira, em São Paulo, e Araguaia, no Pará. No caso da guerrilha urbana, predominam os assaltos a bancos e sequestro de diplomatas estrangeiros.

A resposta do governo consiste na transferência do comando das operações repressivas para a recém-criada Operação Bandeirantes (Oban), em São Paulo, que passou a se chamar Comando de Operações de Defesa Interna (CODI), responsável pelas atividades dos Departamentos de Operações e Informações (DOIs). O número de torturados e mortos pelo aparato repressivo do regime atinge seu auge.

  • Antecessor: Junta Governativa Provisória de 1969
  • Sucessor: Ernesto Geisel

Bibliografia:
Emílio Garrastazu Médici. Disponível em: < http://www.biblioteca.presidencia.gov.br/ex-presidentes/emilio-medici >.