Passeata dos 100 mil

Por Fernando Rebouças
Rio de Janeiro, 26 de junho de 1968, dia em que ocorreu um dos atos mais importantes contra a ditadura militar instaurada no Brasil. Antes da passeata dos 100.000, já havia ocorrido manifestações estudantis nas ruas, sempre reprimidas pela polícia, com mortes de estudantes e a prisão de mais de 300 pessoas.

Foi permitida, depois de dias sangrentos, uma manifestação marcada para o dia 26 de junho, uma manifestação vigiada por mais de 10 mil policiais e que era composta por estudantes, artistas, religiosos e intelectuais pelas ruas do centro da cidade do Rio de Janeiro. Além de protestar contra a ditadura, os estudantes protestavam contra a privatização do ensino, na época, já sinalizada pelo governo.

O governo abria caminhos para a instauração do ensino particular pago em todos os níveis, incluindo o superior, e a tendência de cursos pragmáticos com o intuito de somente formar mão-de-obra para as empresas capitalistas, esquecendo a formação de cidadãos. A política educacional do MEC, naquela época, estava sob influência de técnicos norte-americanos.

A passeata dos 100.000 iniciou às 14 horas, com cerca de 50 mil pessoas, número que dobrou em 1 hora. Depois da passeata, houve uma reunião entre o então presidente Costa e Silva e os universitários Franklin Martins e Marcos Medeiros, na qual foi solicitada a libertação de estudantes presos e o fim da censura.

No mês seguinte, o governo militar proibiu qualquer manifestação pública no país, o que gerou a prisão e mortes de vários estudantes. Em 21 de agosto de 1968, o projeto de lei de anistia aos estudantes foi rejeitado pelo Congresso. A legalização da repressão ocorreu através do AI-5, Ato Institucional nº5, em 13 de dezembro de 1968.