Colonização Alemã no Sul do Brasil

Por Antonio Gasparetto Junior
A Colonização Alemã no Sul do Brasil foi a alternativa encontrada pelo Governo Imperial para promover a ocupação da região.

A imigração alemã no Brasil começou muito antes da grande imigração ocorrida na segunda metade do século XIX. Neste momento, imigrantes de diversas nacionalidades, especialmente européias, vieram para o Brasil em busca de emprego em um mercado que começava a se abrir e a abandonar o sistema escravista que durante tanto tempo foi predominante. Com esse pressuposto, ocuparam postos de trabalho na lavoura de café, principal produto de exportação brasileiro, e também nas nascentes indústrias, tendo em vista ainda o comércio urbano. Muito anterior a esse processo mais abrangente de nacionalidades, os alemães começaram a chegar ao Brasil como opção para ocupação do território na Região Sul do país.

Em 1822 o Brasil se tornou independente de Portugal e se deparou com algumas necessidades visíveis no novo Império. Uma delas era dar conta da região Sul do país que até então representava um grande vazio geográfico, sendo que poderia oferecer muito mais ao Brasil. A imigração foi a solução encontrada para promover a ocupação daquele território, já que os brasileiros não davam conta de se espalharem de tal forma pelo território nacional. Como os portugueses representavam um passado muito próximo, essa nacionalidade foi imediatamente desqualificada para promover a ocupação do Sul, fazendo cair a escolha então sobre os alemães.

A Imigração Alemã no Sul do Brasil começou logo cedo no Império, em 1824, quando os primeiros grupos de imigrantes da Alemanha foram se fixar no Rio Grande do Sul. Os alemães promoveram a colonização na província e partir daí se expandiram por toda a região. O fluxo de imigrantes alemães para o Rio Grande do Sul foi contínuo entre os anos de 1824 e 1830, totalizando aproximadamente 5.350 recém-chegados. A imigração no Rio Grande do Sul foi interrompida entre 1830 e 1844 para, neste ano, ser reiniciada com a entrada de aproximadamente mais dez mil indivíduos. Daí para frente, o país todo entrou no ritmo da grande imigração e o número de alemães no Sul e em outras regiões só cresceu, mantendo-se ascendente até o advento da Primeira Grande Guerra Mundial.

Após a ocupação intencionada do extremo sul do país, grupos de imigrantes alemães foram destinados para a província de Santa Catarina. Os primeiros colonos a chegar datam de 1829, ocupando o que é hoje a cidade de São Pedro de Alcântara. Em Santa Catarina, todavia, o fluxo só foi mais intenso mesmo após 1850 quando seguiu as diretrizes do restante do país. A atual cidade de Joinville é fruto de uma fase de ocupação de outra região da província a partir de 1851, a partir da qual se expandiram por todo o norte de Santa Catarina. Seguindo o destino do país, com a grande imigração da segunda metade do século XX, chegaram ao estado aproximadamente 17.000 alemães, como agricultores, comerciantes e artesãos.

Localização de colônias alemãs em Santa Catarina.

A presença dos alemães no Paraná data da mesma época de Santa Catarina, 1829, quando a primeira colônia foi fundada em Rio Negro. Nesta província a maior imigração aconteceu somente no início do século XX com a ocupação das regiões leste e sul. Mais tarde, por volta de 1950, o Paraná recebeu migrantes alemães vindos de colônias de Santa Catarina e Rio Grande do Sul que buscavam as proximidades do Oeste e Leste do estado.

Os imigrantes alemães que se guiaram ao Sul do Brasil passaram por situações diferentes para sobrevivência. Os grupos que se destinaram a colônias no Rio Grande do Sul e Santa Catarina, chegaram ao Brasil sem possuir nada além da força de trabalho, conquistaram algumas pequenas propriedades e algumas cabeças de gado através do incentivo do governo para ocupação do Sul do país a partir das quais tiveram que se desenvolver por conta própria. Já os imigrantes com destino ao Paraná, pela proximidade com São Paulo e a região produtora de café, acabaram se empregando nas lavouras do produto. A alternativa encontrada por tal povo para manter os traços da terra natal e da cultura germânica foi a organização de tais indivíduos em sociedades de cunho mutualista ou recreativa.

Fontes:
http://www.tonijochem.com.br/colonias_alemas.htm
http://www.brasilcultura.com.br/perdidos/mostra-raizes-do-parana-os-alemaes/

DIEGUES JÚNIOR, Manuel. Imigração, Urbanização, Industrialização. Rio de Janeiro: Centro Brasileiro de Pesquisas Educacionais, 1964.

DIEGUES JÚNIOR, Manuel. Etnias e Culturas no Brasil. Rio de Janeiro, Biblioteca do Exército Editora, 1980