Encilhamento

Por Miriam Ilza Santana
Introdução

Com o término do Segundo reinado, instituiu-se o Governo Provisório, que durou de 1889 a 1891- sob o comando do Marechal Deodoro da Fonseca, o qual instituiu o primeiro ministério da história da República, assim constituído:

- Ministro do Interior : Aristides da Silveira Lobo
- Ministro das Relações Exteriores: Quintino Bocaiúva
- Ministro da Fazenda: Rui Barbosa
- Ministro da Guerra: tenente-coronel Benjamin Constant
- Ministro da Marinha: Eduardo Wandenkolk
- Ministro da Agricultura, Comércio e Obras Públicas: Demétrio Nunes Ribeiro
- Ministro da Justiça: Manuel Ferraz de Campos Sales

O Governo provisório foi instituído para manter a ordem no país, até que fosse elaborado um novo conjunto de leis. Implantou-se no país o sistema político republicano federalista e as antigas províncias se converteram em “estados” da federação. Com a introdução da República, o Brasil passou a se chamar Estados Unido do Brasil.

Rui Barbosa

O ministro da Fazenda, Rui Barbosa, tinha por intuito modernizar o país e fomentar a industrialização, objetivando o crescimento econômico do país e a sua libertação da opressão do capital estrangeiro. O ministro aspirava uma repartição justa da riqueza, que beneficiasse também a emergente burguesia urbana, classe média em ascensão, que veio a substituir a antiga categoria social ligada ao café. A monarquia deixara um esqueleto falido, porém Rui Barbosa não se deu por vencido e colocou em prática vários de seus projetos visando transformar o Brasil em um pólo industrial. Para que seu objetivo, porém, fosse alcançado, precisava de reservas cambiais.

Como o governo era provisório, não podia dar garantias para tão vultoso empreendimento. Foi quando Rui Barbosa resolveu colocar em circulação grande quantidade de dinheiro - papel-moeda – na praça, para que pudesse ampliar os mercados consumidores, que cresciam aceleradamente em virtude da introdução do trabalho assalariado. Ficou mais fácil conseguir empréstimo e os bancos se tornaram mais livres para negociar. O ministro da Fazenda separou o Brasil em quatro territórios da administração pública, responsabilizando cada um deles por um banco emissor. As quatro regiões autorizadas foram: Bahia, Rio de Janeiro, São Paulo e Rio Grande do Sul. Esta política foi adotada com o objetivo de afiançar as necessidades de pagamento dos assalariados, que substituíram os escravos após a abolição, e também possibilitar a criação de novas empresas, visando o aquecimento da economia.

O Encilhamento

A política econômica de Rui Barbosa teve conseqüências desastrosas para o futuro do país, houve um extraordinário aumento inflacionário que alçou os preços às alturas, provocando uma crise muito séria. Este momento crucial para a economia do país ficou conhecido como encilhamento – termo utilizado no esporte com o objetivo de designar os preparativos para a entrada dos cavalos na pista de corrida – e durou de 1889 a 1892. A intenção de Rui Barbosa foi boa, porém colocar em circulação tanto papel-moeda para financiar novas industrias, sem nenhuma garantia, atraiu aqueles que, abusando da boa fé ou da credulidade de outrem, fizeram uso de atos contrários à moral ou às leis. Os especuladores conceberam planos grandiosos demais para se concretizarem, e logo após ofereceram suas ações na Bolsa de Valores, vendendo-as a um preço considerável. A elevada inflação, conjuntamente com o encilhamento, criou uma desabalada aquisição de mercadorias, com o objetivo de as revender mais tarde com o lucro resultante da variação do seu preço na Bolsa de Valores. O que aconteceu depois foi uma disputa acirrada entre as empresas que possuíam ações na Bolsa, conturbando ainda mais o cenário econômico. Em janeiro de 1891, muito frustrado, o ministro deixou o governo, à beira de um colapso.