Governo de José Sarney

Por Lidiane Duarte
Após a frustrada campanha pelas Diretas Já, que arrebanhou multidões em favor da volta pelas eleições diretas, Tancredo Neves foi eleito indiretamente Presidente da República, sucedendo assim o último militar no poder, João Figueiredo.

Tancredo foi candidato na chapa PMDB/PFL. Seu vice era José Sarney, o qual acabou assumindo o governo. Foram eleitos pelo colégio eleitoral, no dia 15 de janeiro de 1985, derrotando com tranqüilidade o candidato Paulo Maluf.

Pouco tempo antes de tomar posse, Tancredo Neves foi acometido de uma forte dor no abdômen. Foi internado às pressas e operado. Mas não resistiu, vindo a falecer em 21 de abril daquele ano. Até hoje não se sabe a causa exata de sua morte.

Vice assume

Com a morte de Tancredo, assumiu a Presidência seu vice. Político contraditório, José Sarney de Araújo Costa havia apoiado o regime militar, inclusive votou contra a emenda Dante de Oliveira, que garantiria eleições diretas em 1985. Mesmo assim, foi eleito na chapa favorável a redemocratização do país.

Tentando superar esta imagem negativa, Sarney assumiu o governo prometendo cumprir as propostas firmadas anteriormente por Tancredo. Ele inclusive permitiu que as eleições para prefeito naquele ano fossem realizadas pelo voto popular.

Sarney pegou um Brasil arruinado. Os índices de inflação eram altíssimos, a população sofria com desemprego, miséria e a dívidas externa e interna herdadas do período militar assolavam ainda mais o país.

Plano econômico

No início de 1986, o governo lançou um plano econômico que visava, principalmente, o controle da inflação. Liderado pelo ministro da Fazenda, Dílson Funaro, O Plano Cruzado, como ficou conhecido, previa as seguintes medidas:

- Criação de uma nova moeda – Cruzado – em substituição ao Cruzeiro que estava muito desvalorizado;
- Congelamento do preço das mercadorias;
- Congelamento de salários, adotando o “gatilho salarial” (reajuste de salários quando a inflação atingisse valor igual ou maior que 20%);
- Fim da correção monetária.

Este Plano foi muito criticado. Empresários, prejudicados pelo congelamento de preços, indicavam os gastos abusivos do governo como causa da superinflação.

A população, porém, aprovou a iniciativa do novo presidente. Os consumidores passaram a fiscalizar os preços e a denunciar se houvesse remarcação. Mas a euforia durou pouco. Os produtos começaram a sumir das prateleiras, o preço dos aluguéis disparou e a inflação voltou a subir.

Foram lançados outros planos para combater a inflação: Cruzado II, Bresser, Verão. Mas todos fracassaram. Sarney deixou a presidência em 1990, sem conseguir equilibrar as contas do país e a inflação.

Constituição

A fim de mostrar seu interesse na redemocratização do país, Sarney convocou no início de 1987 uma Assembléia Constituinte, para elaborar uma nova Constituição. A Assembléia Constituinte foi composta por Deputados e membros do Senado.

Representantes da sociedade acompanharam de perto os trabalhos dos constituintes. O fim da ditadura militar ainda era recente, por isso um dos principais objetivos da Constituição era estabelecer a democracia no Brasil.

Depois de 20 meses de trabalhos, discussões, no dia 05 de outubro de 1988 foi promulgada a Constituição do Brasil, a mesma que está em vigor atualmente. Ficou conhecida como Constituição Cidadã, tendo como garantias e deveres:

- Eleições diretas para os cargos executivos e legislativos e sistema de presidencialismo;
- Possibilidade de criação das Comissões Parlamentares de Inquérito (CPIs);
- Igualdade e direitos para cidadãos: liberdade para trabalhar, para expressar o pensamento, liberdade de religião, acesso à saúde, educação, etc;
- Direitos trabalhistas foram reafirmados: jornada de trabalho de 44 horas semanais, FGTS, entre outros.

Fim do governo Sarney
O mandato de José Sarney terminaria em 1990. Em 1989 foram realizadas as eleições. Após 20 anos, o povo pode ir às urnas para eleger seu candidato à Presidência.

Sarney não se opôs à campanha eleitoral, em nenhum momento. Mesmo porque este direito estava garantido na Constituição, promulgada em 1988. Seu sucessor, eleito pelo voto popular, foi Fernando Collor de Mello.