História Aventureira

Mestrado em História (UFJF, 2013)
Graduação em História (UFJF, 2010)

A História Aventureira é uma recente proposta de filosofia da História.

A História, como ciência, possui suas próprias metodologias de trabalho, suas formas de abordar o objeto e suas formas de escrever os resultados. No século XVIII, a História cresceu em importância e notoriedade como ciência, tornando-se o trabalho de homens eruditos. O passar dos séculos fez crescer a observação feita sobre os objetos de abordagem e, assim, cresceram também as metodologias de trabalho.

A filosofia da História é um ramo ao qual se dedicam muitos pensadores. Consiste na concepção que se tem de como se daria o desenvolvimento da História. História da Filosofia e filosofia da História são termos parecidos, porém diversos. A história da Filosofia se encarrega de descrever os fatos que constituem a existência histórica da filosofia. Já a filosofia da História se encarrega das teorias que buscam explicar o sentido da história, de como a história se desenvolve e para onde vai.

No século XX, novas escolas de historiadores surgiram, apresentando novas perspectivas e metodologias para o trabalho histórico. As novas abordagens permitiram revelar a realidade mais detalhada do passado, apresentando para o mundo o cotidiano também de pessoas que não representavam as classes dominantes. Os novos gêneros da historiografia deram voz aos excluídos da história tradicional e enriqueceram a ciência. A oferta de fontes de pesquisa de objetos históricos também cresceu muito, toda forma de registro da vida humana passou a ser levada em consideração. Não apenas mais documentos governamentais, por exemplo, continuaram sendo usados como fonte, mas qualquer marca humana cotidiana e, inicialmente, banal tornou-se de grande importância.

A História Aventureira é uma filosofia nova na historiografia, ainda pouco difundida ou referenciada. Seu idealizador foi o historiador estadunidense Richard Morse, que apresentou sua forma inovadora de escrever História através do livro O Espelho de Próspero.

Na obra de Morse, o historiador rompe com correntes tradicionais da historiografia e defende o uso do intercâmbio entre todas elas. O livro O Espelho de Próspero não se trata exatamente de um texto que discuta metodologias da História, mas sim de uma obra na qual discute as marcas culturais dos Estados Unidos e da América Latina. Entretanto, Richard Morse faz uso de uma nova metodologia para explicar sua tese.

No contexto da História Aventureira, o que está em jogo é apresentar a História da mesma forma que a vida, a qual não é pré-definida, não é teleológica. Da mesma forma que a vida, a História deveria percorrer livremente pelos diversos campos de compreensão para explicar os fatos do passado. Morse não descarta ou abomina qualquer filósofo da história, pelo contrário, faz uso de todos eles nas ocasiões adequadas.

A filosofia da história de Richard Morse se contrapõe, especialmente, àquela de Karl Marx. Este concebia a história como teleológica, ou seja, guiada rumo a um fim previamente conhecido. Marx, como porta voz do Comunismo, acreditava que o desenvolvimento da história se dava através de etapas, as quais se sucederiam até alcançar o almejado fim, portador do Comunismo. Richard Morse, por sua vez, não acredita no fator teleológico, defendido por vários outros filósofos além de Marx. Sua concepção de filosofia da história faz alusão a uma árvore, sendo que, depois de plantada a semente, não é possível saber o quanto crescerá ou para que lado serão seus galhos. Essa mesma liberdade de desenvolvimento da vida da árvore caracteriza a vida humana, impossibilitando o conhecimento do fim.

A História Aventureira não é ainda um termo definitivamente cunhado para definir essa nova proposta de filosofia da história. Tampouco é plenamente difundida. As referências a Morse são recentes nos trabalhos acadêmicos. Mas sua capacidade dinâmica de lidar com as diversas correntes de pensadores da filosofia da história indica boa condição de desenvolvimento.

Fontes:

GASPARETTO JÚNIOR, Antonio. As Aventuras da Vida: os pensadores alemães e a filosofia da história de Richard Morse. In: “Ibérica – Revista Interdisciplinar de Estudos Ibéricos e Ibero-Americanos”, v. 9, p. 67-78, 2009.

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