História do comércio de Guaratinguetá

CAPÍTULO I
1- A história do comércio de Guaratinguetá

Narrar a história do comércio é falar de relações humanas. É contar a trajetória de uma das mais antigas atividades sociais, não apenas por meio do desenvolvimento econômico ou de técnicas, mas também das afinidades entre comerciantes e clientes. Das cadernetas aos pagamentos eletrônicos, encontramos histórias de amizade, compreensão, iniciativas, dificuldades e vitórias, que traduzem a magia dos balcões simples ou sofisticados presentes em nosso cotidiano e em nosso imaginário.

Guaratinguetá é um município brasileiro do Estado de São Paulo, localizada na região do Vale do Paraíba e sede de microrregião. Conhecida na região pela tradição da comemoração do Carnaval, com desfile de Escolas de Samba e Blocos Carnavalescos. Terra do beatificado Frei Galvão, do Presidente da República Rodrigues Alves e do cardiologista Dr Euryclides de Jesus Zerbini.

Desde os primeiros tempos, Guaratinguetá era conhecida pelos índios da região pela abundância de garças, que viviam as margens do Rio Paraíba. Por lá passaram os primeiros homens brancos, no final do Século XVI, em Bandeiras portuguesas atrás de riquezas escondidas além da Serra da Mantiqueira, nas terras que conhecidas hoje como Minas Gerais.

Em 1628 teve início o povoamento da região do Vale do Paraíba com a doação de terras a Jacques Felix e seus filhos. A partir deste núcleo irradia-se o povoamento em todas as direções e em 1630 surge o povoado de Guaratinguetá, mais precisamente em 13 de Junho de 1630 com a construção de uma capela de pau-a-pique e coberta de sapê dedicada a Santo Antônio, fato registrado no primeiro Livro-Tombo da Matriz de Santo Antônio.

Em 13 de Fevereiro de 1651, por intervenção do Capitão Domingos Leme, é elevada a Vila de Santo Antônio de Guaratinguetá, devido à abertura da estrada principal. Por tradição, também é erguido o pelourinho. Durante o Século XVIII torna-se o principal ponto de abastecimento dos exploradores dos veios de ouro de Minas Gerais, vivendo do comércio à beira da estrada. Durante esse período, os viajantes estrangeiros que por lá passaram deixaram valorosos documentos a respeito de Guaratinguetá, tanto em livros quanto em pinturas. As poucas e estreitas ruas são preenchidas pelo povo nos domingos e feriados para os cultos religiosos.

Por sua privilegiada localização, Guaratinguetá era ponto de passagem para Minas Gerais, para as vilas de Taubaté e São Paulo e para o porto de Paraty.

As tropas vinham dos municípios de Cunha, Parati, Lagoinha, Taubaté e mesmo de São Luiz do Paraitinga. Havia também um outro rancho de tropas do outro lado do Rio Paraíba, perto da ponte metálica. O Rancho da Pedreira, porém era o mais importante pela forma de seu grande movimento, pois ali os tropeiros não permaneciam mais de um dia. O lema era: “Mercadoria vendida, mercadoria comprada”. Semanalmente perto de 300 animais traziam: feijão, milho, salgado, carne de porco e ainda frutas como o marmelo, pêra, pêssego, ameixa. Essas mercadorias vinham em jacás e balaios próprios para cada espécie.

De Parati destacam-se o peixe salgado, deliciosas tainhas, e a aguardente azulada. Este comércio consistia, principalmente na troca de mantimentos para homens e para animais, por tecidos, por sal e por instrumentos necessários à lavoura. Ampliou-se, depois, com a criação de porcos e com a plantação do algodão, para suprimento das bandeiras que buscavam as riquezas das minas.

O retorno iniciava-se nas primeiras horas da madrugada, muito antes do sol nascer. Assim a jornada rendia mais e os burros não se cansavam muito, pois tinham de cobrir longas caminhadas com pesados fardos. Do rancho partiam para a estação de trem, carroças cheias de mercadorias com destino, principalmente para o Rio de Janeiro. Era o comércio dos tropeiros, que desde o frio, sob o sol, sob a chuva, envolvendo-se na poeira ou sujando-se na lama, rudes como os próprios animais, traziam de longe para Guaratinguetá, o produto de seu trabalho, acolhido e consumido não só aqui, mas também em outras regiões, que impulsionou o nosso comércio para o que ele se transformou hoje.

Durante as primeiras décadas do século XVIII, teve importante participação no ciclo do ouro nas Minas Gerais. Foi o principal centro abastecedor do território mineiro, e para lá mandou muitos de seus filhos, junto aos bandeirantes de Taubaté e de Pindamonhangaba, no desbravamento e penetração dos sertões de Minas. A essa época, a vila recebeu uma Casa de Fundição do Ouro, depois transferida para Paraty. A vila, porém, era modesta, com poucas e tortuosas ruas que, a partir da Matriz, acompanhavam os caminhos. Vivia de uma economia de subsistência e do comércio de beira de estrada mais voltado para os viajantes que transitavam pela região.

Guaratinguetá era usada como caminho, dos "Paulistas", ligando a Vila de São Paulo às Minas Gerais. Iniciava-se na cidade de São Paulo, percorrendo o Vale do Paraíba até atingir Guaratinguetá, onde se encontrava com o "Caminho Velho". De Guaratinguetá iam em direção do "Porto de Guaypacaré", onde ficavam as roças de Bento Rodrigues Caldeira.

O Caminho de São Paulo seguia até Guaratinguetá, onde se bifurcava no Caminho Velho: para o Norte, Minas Gerais; para o Sul, Parati e Rio de Janeiro (por mar). Em meados do séc. XVIII, com a construção de acessos terrestres para o Rio de Janeiro, o caminho de São Paulo passou a ter mais opções de prosseguimento, como a trilha que passava por Cachoeira Paulista, Silveiras, S. José do Barreiro, e Bananal, até a Guarda do Coutinho (Pouso Seco), na divisa estadual, próximo a Rio Claro. Ou seguindo até Campo Alegre (Resende, Quatis, Piraí, no RJ), e daí escolhendo algum de outros diversos caminhos para chegar ao Rio. [Sodero]

No Século XIX, Guaratinguetá atinge o apogeu do período cafeeiro, ao mesmo tempo em que sofria com o declínio dos engenhos de açúcar. Durante a “Trilha da Independência”, D. Pedro I pernoita na cidade, em 18 de Agosto de 1822. Impulsionada pelo desenvolvimento econômico, político e social promovido pela evolução cafeeira, a Vila eleva-se a categoria de Cidade em 1844, e de Comarca em 1852. O café vira moeda forte, alterando o cotidiano da cidade. Aumenta-se a mão-de-obra nos campos, ampliam-se as construções na cidade e os filhos dos fazendeiros são levados a estudarem na Corte ou na Europa. O comércio de mercadorias vindas em lombo de burro do porto de Parati expande-se.

O Século XX é recebido com o esgotamento das terras e o declínio da produção de café. Para encarar a queda abrem-se novos focos econômicos: agropecuária extensiva, industrialização e a volta ao comércio. Há o acolhimento para o ensino com a instalação da Escola de Especialista de Aeronáutica, do campus da UNESP com a Faculdade de Engenharia, da Faculdade de Tecnologia (FATEC) e do SENAC. O turismo também é ferramenta para o desenvolvimento, com o aumento da devoção a Frei Galvão, a visitação à Gruta de Nossa Senhora de Lourdes e peregrinação às Igrejas e Mosteiros locais. Atrelado a isso, há também o turismo rural e do meio ambiente, suficientemente enriquecido com a beleza das matas e das áreas rurais, adornados pela Serra do Mar e da Mantiqueira. E dentro do perímetro urbano, ainda há a presença das casas coloniais com sua beleza arquitetônica do século passado.

Guaratinguetá tem também a sua economia estruturada na agropecuária e é importante bacia leiteira do Vale do Paraíba. Destacam-se, também, indústrias de pequeno, médio e grandes portes, abrangendo os setores têxteis, químico, metal-mecânico e alimentício.

Todos os caminhos que se cruzaram em direção ao litoral, as Minas Gerais, São Paulo e depois para o Rio de Janeiro, em toda a sua História desde os primeiros tropeiros trazendo mercadorias nos lombos dos burros, continuando com a ferrovia e as rodovias e o aeroporto, favoreceram o desenvolvimento do comércio de Guaratinguetá.

2- História Urbana x História Econômica

Há evidentemente uma relação entre os fatos da história urbana e os fatos da história econômica. Guaratinguetá obedece à regra: é uma cidade que deve seu desenvolvimento urbano ao café.

Inaugurada a estrada de ferro em 1877, com os novos valores por ela trazidos da Corte, os fazendeiros passaram a se urbanizar, erguendo na cidade novas e, às vezes, suntuosas residências. O comércio prosperou, abastecendo a cama, a mesa, as salas e o luxo das novas moradas.

A cidade cresceu, com as casas térreas e muitos sobrados Uma nova igreja e uma nova estação ferroviária foram construídos. Um teatro e um banco foram inaugurados, ao lado de agências consulares e de importantes melhoramentos urbanos. Com tanto progresso, a cidade foi honrada com visitas da família imperial e da nobreza do Império.

O dinheiro do café também levou os filhos dos fazendeiros a estudarem na capital paulista, na corte do Rio de Janeiro e até mesmo na Europa, dando para a cidade seus primeiros bacharéis, magistrados e médicos.

Nas primeiras décadas do século XX, achando-se esgotada as terras e já ausente o braço escravo, o café partiu para novas regiões, deixando numerosos marcos de sua passagem em todo o município. Entre eles podemos destacar a Fazenda do Morro Vermelho, vinda do século XVIII e ainda na posse dos descendentes do Guarda-mor José Francisco Guimarães. Em 1868 esta fazenda recebeu a visita da Princesa Isabel, da qual tem gratas recordações. Está situada à margem da Avenida Padroeira do Brasil, entre Guaratinguetá e Aparecida.

Na estrada para Cunha, a 4 km do centro de Guaratinguetá, a Fazenda Engenho D' Água também tem seus alicerces no século XVIII. Ganhou sua feição atual no século XIX quando substituiu a produção de açúcar e aguardente pelas culturas do chá e do café, cujos terreiros até hoje testemunham suas excelentes safras.

De 1866 é o Solar Rangel de Camargo, monumento estadual por seu valor histórico e arquitetônico. Foi erguido pelo Capitão João Baptista Rangel, fazendeiro do café e tropeiro. Permanecendo com seus descendentes, guarda mobiliário, alfaias e documentos do Império e Primeira República. Está situado na rua Frei Galvão, no centro da Cidade. Também no centro, a casa, hoje museu, em que morou Francisco de Paula Rodrigues Alves, Conselheiro no Império e Presidente da República, tem suas raízes no café. Paralelamente às suas funções de estadista, Rodrigues Alves - nascido em uma fazenda de café - era também cafeicultor. Através de uma sociedade familiar, produzia o seu "ouro verde" em terras da fazenda Três Barras, nos sopés da Serra do Quebra Cangalha, cuja sede antiga já não existe, assim como a casa da fazenda onde nasceu.

Entre os sobradões remanescentes do café, o destaque fica para o da Praça Homero Otoni, 18 e o da Praça Dom Pedro II. A Casa do Banqueiro Alfredo Antunes de Oliveira na Rua Pedro Marcondes, 52, o Palacete do Comissário de Café, o português Ferreira Vianna, na esquina das ruas Doutor Morais Filho com Marechal Deodoro e o Chalé da Rua Santa Clara, 242, não podem ser esquecidos por apresentarem diferentes estilos, como também as casas de números 35 e 47 da Rua Rafael Brotero, por seus detalhes arquitetônicos e vidros coloridos.

Hoje, pelo menos duas dezenas de outras construções da época do café podem ser encontradas, como a Prefeitura Municipal - antigo Teatro, a Estação Ferroviária, a parte antiga da Santa Casa, a Igreja de Santa Rita e a Catedral de Santo Antônio, cujo interior foi enriquecido com doações, imagens e alfaias, advindas da renda da produção cafeeira. [Thereza Maia]

3. O desenvolvimento do comércio

Com o desenvolvimento do comércio, quando os grandes fazendeiros começaram a morar nas cidades e principalmente com a estrada de ferro, ocorreu grande avanço no setor alimentício. Vinhos de várias procedências, queijos do Reino, biscoitos e chás ingleses, bacalhau do Reino e da Noruega, frutas e licores, produtos de toda a Europa passaram a fazer do dia-a-dia da cidade, pois eram trazidos com mais facilidade pelo trem, a partir de 1877, e não pelos burros que demoravam em suas viagens.

O trem também trouxe novos moradores de diversas etnias, que se fixaram não apenas no centro urbano, mas, igualmente, na área rural, como ocorreu com o estabelecimento da Colônia do Piagui, em 1892.

Coincidentemente, com essa nova forma de economia, chegava a Guaratinguetá as eras da eletricidade e do automóvel. Com o carro, e com todas as muitas atividades comerciais que o automóvel proporcionou, assistiu-se à abertura de novos caminhos para o comércio.

Em 1928 foi inaugurada a Rodovia Washington Luiz, ligando a cidade a São Paulo e ao Rio de Janeiro.

O ano de 1950 trouxe o asfalto da Rodovia Presidente Dutra. Com a eletricidade, que modernizou em Guaratinguetá, em 1905, a iluminação urbana, o comércio teve extraordinário desenvolvimento. Uma linha de bondes, conduzindo ao distrito de Aparecida, funcionou até o ano de 1950. A força elétrica ensejou ainda o variado comércio dos eletrodomésticos, hoje ampliado pela eletrônica e pela informática.

O desenvolvimento econômico de Guaratinguetá no século XX, fez surgir as primeiras associações de classe, com a Associação dos Empregados do Comércio, a Associação Comercial e Industrial de Guaratinguetá, a União Produtora de Laticínios de Guaratinguetá, a Associação Agropecuária, além de uma loja de Maçonaria e uma Caixa Rural.

No parque industrial do município junto às tradicionais indústrias de laticínios e de fiação e tecelagem, desenvolveram-se modernas indústrias de produtos químicos, de mecânica pesada, de papel e inúmeras outras. Assim, em estabelecimentos de pequeno, médio e grande porte, ao lado de empresas da mais avançada tecnologia, Guaratinguetá tem produções semi-artesanais de grande valor, como as de imagem de gesso e as peças de cerâmica que, além de sua arte, oferecem potencial turístico.

Confirmando a vocação comercial que, por sua posição geográfica, Guaratinguetá manteve ao longo de sua história, o movimentado e variado comércio da cidade permanece como pólo de atração das cidades vizinhas, de Paraty e do sul de Minas Gerais.

CAPÍTULO II
1- RESGATE HISTÓRICO

Com o objetivo de estudar e resgatar a história do comércio, e juntamente a ele a história da loteria de Guaratinguetá fomos levados até Moises no capítulo 26 dos Números. Para dividir a posse das terras ao oeste do rio Jordão, Moises usou uma loteria.

Por volta de 100-44 a.C.: As primeiras formas do Loto datam da Roma Antiga e do tempo de Júlio César. A palavra "loteria" é derivada do lotto, que em italiano significa destino.

Por volta de 100 a.C.: A dinastia Hun, na China, criou o jogo de apostas chamado keno. Os recursos levantados com essas loterias foram usados para a defesa e financiando de construções, especialmente a da Grande Muralha da China. Mas os estudiosos ainda discordam sobre quem começou a tradição antiga do Loto.

A Loteria floresceu durante toda a Europa, entre os séculos XV e XVII. Em 1446, aconteceu um dos primeiros Lotos europeus do qual se tem notícia. A viúva do pintor Jan Van Eyck fez uma rifa para se desfazer das pinturas restantes do seu marido.

Em 1498, os portugueses realizaram um jogo de Loto, para arrecadar fundos para ajudar os pobres e para cobrir as necessidades financeiras do país.

Em 1465, os jogos de loto foram levados à Bélgica, para construir capelas, abrigos de pobres, canais e a infra-estrutura do porto. Em 1515, seis nomes foram escolhidos para eleição ao Senado da Gênova, Itália. Mais tarde, os nomes foram substituídos por números. Em 1530, em Florença, na Itália, foi realizada uma "Loteria de Número", com prêmios em dinheiro. Em 1539, o rei Francis I da França autorizou um jogo de Loto com a finalidade de reabastecer sua tesouraria. Muitos destes fundos tinham desaguados para Lotos estrangeiros. Em 1567, a rainha Elizabeth I estabeleceu o primeiro Loto governamental inglês. Os prêmios incluíram dinheiro, prataria e tapeçaria. Para a realização do jogo, foram colocados 400 mil bilhetes à venda. Em 1612, o rei James I da Inglaterra, por decreto real, criou uma loteria em Londres. Os rendimentos foram usados para ajudar a primeira colônia britânica na América Jamestown, Virgínia. Lá, em 1607, foi fundado o primeiro estabelecimento inglês permanente. O interessante é que as igrejas Anglicanas apresentaram dois dos três bilhetes premiados da primeira extração.

Durante o século XVIII, a finalidade principal para criar uma loteria era reabastecer a tesouraria de um país, para que ele pudesse financiar suas guerras e construir suas estradas e edifícios. Por volta de 1700, muitos patriarcas dos Estados Unidos jogavam e patrocinavam loterias.

Alguns exemplos incluem:

  • Benjamin Franklin usou loterias para financiar a compra de canhões para a guerra da independência norte-americana.
  • John Hancock operou um Loto para reconstruir o histórico mercado de Faneuil Hall, em Boston.
  • George Washington operou um loto para financiar a construção da Estrada da Montanha, que abriu a expansão da Virgínia para o Oeste.
  • Thomas Jefferson, devendo 80 mil dólares, no final de sua vida, usou um jogo de Loto para se desfazer da maior parte de suas propriedades.

Em 1726, a Holanda criou o Loto mais antigo do mundo, ainda em operação.

Em 1753, uma loteria foi feita na Inglaterra, para o estabelecimento do Museu Britânico.

Em 1775, loterias foram autorizadas para levantar dinheiro para o exército colonial.

Em 1776, Luís XV fundou a Loteria Royale da Escola Militar (mais tarde Saint-Cyr), na França. Com a criação desse Loto, outras loterias foram banidas e os rendimentos foram usados para reduzir os débitos do estado. O rei criou, assim, um monopólio, que se transformou no precursor do “Loterie Nationale”.

Nos Estados Unidos, as loterias foram mais ativas durante o período que precedeu a constituição, em 1789, e continuou até o estabelecimento encontrar meios eficazes de coletar impostos locais. Além disso, a onda da reforma antilotérica da década de 1830 também influenciou. Antes de 1790, a América teve somente três bancos incorporados. Então, os jogos de Loto eram as fontes padrão para o financiamento público e privado.

De 1790 à guerra civil da década de 1860, 50 faculdades, 300 escolas e 200 igrejas foram erigidas com rendimentos de loterias. Mais notavelmente, universidades, tais como: Harvard, Yale, Princeton e Columbia foram financiadas com jogos de Loto.

Depois que as loterias serviram para financiar a construção de prédios, os jogos do Loto tornaram-se mais difundidos e menos regulados. Com corrupção em grande escala nos jogos de Loto operados por particulares, entre 1820 e 1878, o estado de Nova Iorque passou a primeira proibição constitucional de loterias nos Estados Unidos e no Canadá. E em 1878, todos os estados, menos Louisiana, passaram a proibi-los também.

No começo do século XX, a loteria do estado de Queensland, na Austrália, era a primeiro corporação a começar operar um loto e o Irish Sweepstakes da Irlanda ficou extremamente popular nos mercados americanos e canadenses, devido à abolição do jogo nesses países. Estes jogos foram imitados por vários jogos europeus de Loto, embora esses países tivessem também preocupações sobre seus próprios jogos, como loterias de sorteio.

Finalmente, nos Estados Unidos, o Loto estadual foi criado, começando com Nova Hampshire, seguido por Nova Iorque e por Nova Jersey, onde o primeiro sistema do mundo ligado on-line foi implantado, em 1971. O primeiro bilhete de loteria instantânea ou raspadinha, do estilo Loto, impresso pela divisão de loteria da empresa Dittler Brothers, foi introduzido em 1974 pela Loteria estadual de Massachusetts. O jogo foi extremamente bem-sucedido, entregando algo que nenhum outro jogo de loteria nunca tinha oferecido antes - dinheiro na hora.

Entre 1974 e 1976, 13 jogos diferentes de Loto dos EUA seguiram a iniciativa, lançando raspadinhas. E em 1977, o Loto-Québec foi a primeira loteria canadense a lançar uma raspadinha: . La Loterie des Québécois. Isso foi considerado o primeiro jogo focalizado em pequenos prêmios da indústria de Loto e incluíram prêmios de dois, cinco e cinqüenta dólares, além de um sorteio para o prêmio maior, de 100 mil dólares. O estado da Austrália Sul introduziu cautelosamente a primeira raspadinha e foi seguido pela loteria oficial de Chipre, em 1979.

Na década de 1980, as vendas de raspadinhas, nos EUA, ultrapassaram 1 bilhão de dólares, com e 16 estados comercializando loterias instantâneas. As Loterias canadenses, preocupadas que as raspadinhas poderiam canibalizar seus jogos tradicionais de sorteio, começou a introduzir jogos mistos. Ao mesmo tempo, as loterias no nordeste dos EUA começaram a experimentar maneiras diferentes de aumentar suas vendas de raspadinhas. Essas inovações incluíram marketing de jogos múltiplos, estruturas de premiação baseadas no modelo canadense e menos sorteios para o prêmio máximo.

O Loto de Massachusetts aumentou seu fundo de premiação de 50% até 60%, assim criando mais movimento, quando os jogadores começaram a reinvestir seus prêmios pequenos na compra de mais bilhetes. Em conseqüência, as vendas de raspadinhas dobraram a 80 milhões de dólares.

Em 1985, as vendas dessa loteria triplicaram, quando os bilhetes começaram a ser distribuídos diretamente aos varejistas. Com as vendas de raspadinhas prosperando nos EUA, muitos jogos estaduais de Loto foram lançados, entre 1983 e 1990. Em 1984, todos as loterias canadenses ofereceram raspadinhas.

Enquanto isso, as loterias australianas, que tinham incorporado muitas das idéias bem-sucedidas, desenvolvidas no Canadá e nos EUA, revolucionaram a indústria com uma estratégia verdadeira de múltiplos pontos de preço.

No Brasil, os jogos nacionais são LOTOFÁCIL, LOTECA, LOTOGOL, MEGA-SENA, LOTOMANIA, LOTERIA FEDERAL, QUINA, e DUPLA SENA.

CAPÍTULO III
1- LOTERIAS NO BRASIL – UM BREVE HISTÓRICO

Veja História das Loterias no Brasil

2- COMO ERA O COMÉRCIO DE GUARATINGUETÁ COM A LOTÉRICA?

As lotéricas eram administradas pelo Srº Peixoto Castro Moreira na cidade de Lorena, com seu faturamento a Caixa Econômica Federal se interessou e conseguiu a administração das Casas Lotéricas.

No comércio de Guaratinguetá a 1ª Lotérica foi aberta em 1921, de propriedade do Srº Jacó Gonçalves Santos e permanece até hoje entre seus descendentes, como o caso da filha Srª Maria Aparecia Santos.

Segundo ela, no inicio não tinha jogos, funcionava somente para a Loteria Paulista e a Loteria Federal, com o tempo veio o jogo Mega Sena, Quina, Super Sena.

As primeiras máquinas eram perfuradoras manuais, hoje com todo o desenvolvimento elétrico, conta-se com computadores e máquinas sofisticadas que facilitam ainda mais a venda e confecção dos jogos.

Durante um bom tempo esta lotérica dominou o comércio, depois foram abertas outras no centro comercial da cidade como a Lotérica do Sonine, que levava todos os jogos para São Paulo e a 3ª Lotérica foi a do Mercado Municipal.

As lotéricas desde sua fundação obtêm muitos lucros com a venda dos jogos como a Loteria Paulista, Federal e jogos que vêm aumentando cada vez mais, pois a casa lotérica não é nada mais que uma unidade que comercializa todas as loterias federais, os produtos assemelhados e atua na prestação de todos os serviços delegados pela CAIXA como: o recebimento de contas de concessionárias (água, luz e telefone), carnês, prestações, faturas e documentos de diversos convênios, os serviços financeiros como correspondentes da CAIXA autorizados pelo Banco Central e os Pagamentos dos Benefícios da Rede de Proteção Social, com o objetivo de favorecer a população, propiciando maior comodidade.

CONCLUSÃO

Narrar a história do comércio é falar de relações humanas. É contar a trajetória de uma das mais antigas atividades sociais, não apenas por meio do desenvolvimento econômico ou de técnicas, mas também das afinidades entre comerciantes e clientes. Das cadernetas aos pagamentos eletrônicos, encontramos histórias de amizade, compreensão, iniciativas, dificuldades e vitórias, que traduzem a magia dos balcões simples ou sofisticados presentes em nosso cotidiano e em nosso imaginário.

O povoado de Guaratinguetá foi uma das raízes do Vale do Paraíba. Ainda hoje, graças à sua força e importância econômica, a cidade continua sendo uma das principais da região.

Passando por todas as fases do desenvolvimento do Vale, Guaratinguetá sempre esteve na liderança dos municípios próximos. Em suas terras, foi encontrada a imagem de Nossa Senhora da Conceição Aparecida; no início da República, Guará deu ao Brasil um presidente: Rodrigues Alves e, hoje, dá aos devotos os milagres de Frei Galvão. Seu povo, sempre lutador e corajoso, passou por todos os períodos sem enfraquecer e, atualmente, colocam Guaratinguetá em posição privilegiada entre as cidades industrializadas do Vale do Paraíba.

Encontra-se na região do Vale do Paraíba com um importante papel histórico e cultural. Região de passagem e ligação, desde os tempos coloniais, caminho para as Minas Gerais, caminho para os portos do litoral, caminho para o planalto de São Paulo, caminho para a cidade do Rio de Janeiro, desbravou sertões, povoou capitanias distantes, fundou vilas e cidades, participou do movimento da Independência, sustentou economicamente o Império Brasileiro, participou ativamente da vida política e social do Brasil.

Destaca-se pela sua posição privilegiada, próxima a Rodovia Presidente Dutra, entre os Estados de São Paulo e Rio de Janeiro e tem o comércio mais desenvolvido de toda a região, reforçado pelas fábricas BASF (desde 1956) e LIEBHERR (1949) e é conhecida como centro de oportunidades de negócios e município com qualidade de vida invejável.

Referencial Bibliográfico

GUARATINGUETÁ. Disponível no site < http://www.resenet.com.br/café_guaratingueta.htm > Acessado em 19 jun. 2006.

GUARATINGUETÁ. Disponível no site:Acessado em 24 set. 2006.

GUARATINGUETÁ. Arquivo: Biblioteca Pública Municipal, Dr. Guiomar Pereira da Rocha, 1979.

LOTÉRICAS. Disponível no site Acessado em 24 set. 2006.

LOTÉRICAS. Disponível no site Acessado em 24 set. 2006.

MAIA, Tereza e Tom, Guaratinguetá 345 anos de História e Tradição. 1996, p. 05-06

SODERO TOLEDO, F. Outros Caminhos. Vale do Paraíba, do regional ao internacional, do global ao local. São Paulo: Ed. Salesiana, 2001.

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