Império Colonial Francês

Quando se trata de analisar a expansão colonial francesa, é forçoso dizer que na verdade devemos nos referir a dois diferentes períodos de expansão política distintas. De um modo linear, o império colonial francês existiu de 1534 a 1980, sendo o marco inicial a fixação da bandeira francesa pelo navegador e explorador Jacques Cartier na Baía de Gaspé, onde atualmente se situa a província de Quebec, no Canadá; este primeiro esforço colonizador chegaria a um fim em 1803, com a venda do território da Louisiana aos Estados Unidos, por Napoleão. Um renovado projeto colonial é posto em prática em 1830, com a invasão da Argélia. É considerado marco final do império francês a concessão de independência a Vanuatu, pequeno arquipélago do Oceano Pacífico, em 1980.

Em ambos os casos, a França tornou-se dona de grandes extensões de terra em vários continentes, sendo que a sua segunda expansão constituiu-se em uma obra gigantesca, menor em dimensões territoriais apenas ante o Império Britânico, a potência da sua época. Resultado indelével da expansão francesa é a sobrevivência de vários aspectos da cultura bem como da língua francesa em várias partes do mundo.

Inicialmente alienada do jogo político de explorações e ocupação comercial disputado por Portugal e Espanha, a França decide, mesmo que tardiamente, fazer concorrência aos dois reinos, investindo contra territórios portugueses (França Antártica, em 1555 e São Luís, em 1612, no Brasil) e Espanha (Fort Caroline, em 1562, na Flórida espanhola).

Somente em 1605 o império inicia-se de modo efetivo com a fundação de Port Royal, no atual Canadá, origem da colônia francesa conhecida como Acádia. Pouco depois, em 1608, Samuel de Champlain funda a cidade de Quebec, que seria a capital de um grande território, exparsamente povoado, chamado de Nova França, que ia desde o nordeste do Canadá até a atual Luisiana, nos Estados Unidos. Em 1624 os franceses começam a se estabelecer na Guiana e na mesma época, já estão na Martinica, Guadalupe, Haiti e também no Senegal, construindo um rentável comércio intercontinental.

Por volta de 1670 a França começa um projeto de colonização da Índia, importante fonte de vários produtos de larga aceitação comercial. Estes interesses entrarão em choque com os britânicos, sendo que os franceses sairão derrotados, encontrando-se aí a decadência de seu primeiro projeto colonial, resultando na perda de seus postos na América do Norte, Haiti e Índia.

Em 1830, a França parte para novas conquistas coloniais, desta vez com um intenso foco no então inexplorado e desconhecido continente africano. Começando pela Argélia, o país europeu ocupará grande parte da África Ocidental e Equatorial, além de Madagascar e Djibouti. A presença francesa, ao longo do século XIX ainda estende-se à Indochina, com o domínio de Camboja, Laos e Vietnã, além das possessões no Pacífico (Nova Caledônia, Polinésia, Wallis e Futuna).

Esse grande império conquistado em cerca de 70 anos, com cerca de 12 milhões de quilômetros, logo iria ruir, resultado da participação decisiva da França em duas guerras mundiais, que enfraqueceram de modo irrecuperável a máquina colonial construída pelo país. Logo após a Segunda Guerra inicia-se uma série de independências dos territórios coloniais, sendo os episódios mais controversos a guerra de independência do Vietnã e a Guerra da Argélia, que colocou a opinião pública mundial contra a França. A época dos impérios coloniais havia decididamente ficado para trás, e, por volta de 1960 a esmagadora maioria das colônias já haviam adquirido suas respectivas independências, não deixando, de certo modo, a esfera de influência francesa, que procura estabelecer uma união político-cultural com suas ex-colônias através da Organisation internationale de la Francophonie.

Bibliografia:
Império Francês - História do Império Francês. Disponível em: <http://www.historiadomundo.com.br/francesa/imperio-frances.htm> . Acesso em: 19 ago. 2011.

French colonial expansion. Disponível em: <http://www0.hku.hk/french/dcmScreen/france/doc/french_colonial_expansion.doc> . Acesso em: 19 ago. 2011

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