Literatura chinesa antiga

A literatura antiga chinesa era registrada pelos escribas, e se relacionava com uma sociedade bélica e aristocrática, o que foi preservado ao longo do tempo pela cultura da sociedade letrada. A palavra “wen”, segundo Lévy, pode significar tanto literatura quanto civilização, e, nesta perspectiva, a história do desenvolvimento da China estaria atrelada à escrita.

O debate sobre a classificação do período da antiguidade chinesa foi extensamente debatida por historiadores. Segundo Lévy, os historiadores marxistas acreditavam terminada a antiguidade chinesa em 1919, pois acreditavam que a China não havia entrado nos tempos modernos, nem participou da "civilização global" iniciada com a Guerra do Ópio de 1840. Já a tradição nativa acreditava que acabara em 211 A.C., marcada pela unificação política que proporcionou um sistema centralizado. Outra hipótese é a do historiador Naitō Konan, que compreende o fim da antiguidade chinesa entre os séculos XI e XII, e sua justificativa era que a reforma do serviço público do sistema meritocrático e o desaparecimento da nobreza chinesa foi substituída pela constituição de uma sociedade moderna burocrática.

Na linguística histórica, define-se a periodização através da língua. Os linguistas dividiram o período em: a língua chinesa arcaica da Alta Antiguidade (das origens da linguagem até século III), língua chinesa antiga de meados da Antiguidade (séculos VI a XII), chinês médio da Idade Média (séculos XIII até XVI), chinês moderno do período Moderno (séculos XVII-XIX), chinês recente (1840-1919) e o chinês contemporâneo (1920 ao presente).

Algumas pessoas que são consideradas importantes para a produção literária chinesa foram: Confúcio (considerado o Sócrates chinês, um dos primeiros filósofos), Mo Zi (filósofo pacifista que escreveu textos sobre lógica e sofismo), Guan Zhong (chanceler que redigiu sobre legalismo) e o livro Dao de jing, de Lao Zi.

A poesia e a prosa chinesa necessitam do uso de ritmo e assonância, e estes elementos não estão presos ao verso. Os gêneros produzidos em prosa estão muito próximos à poesia, e estes se distinguem apenas pela prioridade atribuída ao recipiente sobre o conteúdo.

Dentro dos gêneros escritos em prosa pelos chineses se encontram: elegia, julgamento, carta, epitáfio, fábula e ensaio, e o gênero epistolar, que abordava os mais variados assuntos. Nos séculos X ao IX alguns escritores retomaram o jeito antigo de escrita que se baseava nas obras de Confúncio, e, neste período, recupera-se a forma antiga do gênero epitáfio. O gênero fábula busca transmitir moral através de um texto curto. A elegia e julgamento eram gêneros comuns para à escrita histórica ou biográfica. Um texto histórico conhecido foi Shi ji (Registros do Grande Historiador), escrito por Sima Qian.

De acordo com Lévy, a tradição chinesa possui uma linguagem e escrita associadas à música e a pintura. Na dinastia Han (206 A.C.-220 D.C.) solidificou-se o uso da poesia para rituais. No século XI, a forma da poesia ficou mais característica, com um quarteto rimado de linhas heptassilábico ou pentassilábico, e aderiu a um paralelismo estrito no primeiro dístico. Os gêneros poéticos eram lamentos, rapsódia, música do governo imperial e ária. As formas eram: estilo de verso antigo, verso moderno, verso de 8 linhas e quartetos.

No século X, a literatura escrita passa ser mais acessível, com aumento de livros de entretenimento. Neste momento passa-se a haver livros de gênero popular (anedota, saga e teatro). No século XIII, a aristocracia mongol assimilou esta literatura popular e denominou-a como literatura nobre. No século III e IV, foram registradas anedotas que podiam ser sobre eventos bizarros e historias de pessoas excêntricas. A saga origina-se da tradição oral dos contadores de histórias. No século XIV, efetivamente, foram redigidas algumas destas narrativas em livros, uma destas sagas eram Os três reinos, que foi atribuído a Luo Guanzhong.

Bibliografia:

LÉVY, Andre. Chinese literature, ancient and classical. Traduzido por William H. Nienhauser Jr. Bloomington: Indiana University Press, 168 p.