Literatura mesopotâmica

A língua acádia era falada e escrita na antiga Assíria e Babilônia, em meados de 2500 a.C. Nos dias atuais, esta língua é pouco conhecida e estudada. Segundo Foster, a língua acádia pertence à família das línguas semíticas. A língua suméria é anterior à língua acádia. As línguas antigas semíticas (acádia e aramaico) eram faladas no Oriente Médio, mais especificamente na Mesopotâmia (ao norte da Assíria e no sul da Babilônia).

Segundo Foster, no período clássico da literatura acadiana, correspondente ao antigo período babilônico da língua, os textos literários não eram escritos no mesmo dialeto de outros documentos, mas num dialeto que diferenciava o discurso comum gramaticalmente e lexicalmente. Os babilônios acreditavam que a literatura que fala do divino exigia um idioma, gramática, vocabulário e ortografia especial, removidos do uso comum.

A literatura acadiana se desenvolveu de forma interdependente à literatura suméria. Algumas obras literárias acadianas são consideradas imitações ou traduções de protótipos sumérios (por exemplo: Lamento de uma cidade). A tradição cultural suméria também influenciou a literatura acadiana de formas menos facilmente definíveis: estilo, tom, assunto. As duas tradições estão tão intimamente ligadas ao que se pode chamar de uma cultura literária híbrida.

A definição de Foster sobre a prosa acadiana se distingue da poesia pela ausência de linhas curtas e métricas, embora a prosa possa ter ritmo. Figuras de linguagem são mais esparsas do que na poesia. As sentenças podem também ser mais longas e mais complexas do que na poesia. Já a poesia acadiana possui metro, mas o padrão métrico não se mantem ao longo dos versos. Há incerteza sobre se as métricas foram baseadas em sílabas, idéias ou unidades de pensamento, algum tipo de estresse quantitativo, ou combinações dessas.

De acordo como Foster, a literatura acadiana era dividida em cinco categorias, que eram reconhecidas como: comemorativo, didático, narrativa, eficaz e expressivo. Estes não correspondem necessariamente a classificações antigas, e alguns textos podem possuir mais de uma categoria.

Os textos comemorativos referiam-se a dois grupos principais de textos acadianos, dos quais o primeiro seria da esfera humana, e a segunda sobre o divino. As obras que falam sobre assuntos humanos tinham o intuito de perpetuar a memória de um representante da realeza em prosa e em terceira pessoa, como no monólito da vitória de Naram-Sin. Os textos deste tipo terminam frequentemente com bênçãos, admoestações ou pseudo-profecias para o benefício das gerações futuras, um exemplo deste gênero é a Profecia de Shulgi. As orações eram escritas numa prosa que se aproximava da poesia, podendo ser escritas em pedra, mas caso fosse uma prática popular eram escritas em petições deixadas na frente da estátua divina ou lidas para a estátua.

Os textos didáticos ensinavam assuntos humanos e justiça divina em forma de narrativa (conselho ou provérbios) e eram curtas e simples. Podiam ser conselhos cotidianos, ou até mesmo para os governantes, como foi o caso da Lenda de Naram-Sin.

A literatura narrativa conta uma história sobre deuses (exaltação divina, mitologia) ou reis antigos em forma de poesia e pode ser longo. Um exemplo desta literatura é Nergal e Ereshkigal.

O penúltimo tipo de literatura era a efetiva, que compreende a linguagem mágica (encantamentos ou feitiços) para obter resultado desejado em forma de poesia, musicalidade e usam muito a figura de linguagem.

A última categoria, literatura expressiva, era composta de textos que descreviam um estado de espírito ou cena, escritos em forma de prosa narrativa, na qual se busca uma reação emocional. Um exemplo disto é A Carta de Gilgamesh.

Apesar da diversidade de obras que existiam nesta literatura, esta é pouco conhecida. Desta forma, alguns pesquisadores ainda buscam compreender mais as variações e diferenças entre os gêneros, estilos e importâncias desta literatura.

Bibliografia:

FOSTER, Bejamin R. Before the muses: an anthology of Akkadian literature. Bethelda: CDL Press, 1996, 485 p.