Literatura romana antiga

A literatura romana foi fortemente influenciada pela literatura grega antiga, mas suas estruturas dentro dos gêneros eram muito mais fluidas e variáveis do que foi com a literatura grega. Os gêneros em prosa desta literatura foram, principalmente: literatura jurídica, oratória, história e filosofia. Os gêneros de poesia que os romanos escreveram foram, principalmente: epopeia, drama, elegia e epigrama.

O desenvolvimento das obras literárias no período do domínio do Império Romano foi influenciado pelo contexto político e econômico. A sátira romana começou a ser produzida no século II a.C., sendo um dos gêneros importantes para a escrita de novelas, como as dos escritores Petrônio e Apuleio. No século I a. C. foram produzidas as obras Idílio, de Virgílio, e Odes, de Horácio.

De acordo com Bickel, as manifestações literárias romanas apareceram inicialmente por motivos religiosos, em seguida razão, por motivos jurídicos, e, depois destes, oratórios. A literatura religiosa romana foi influenciada pelos cultos gregos, mas a religiosidade romana tinha vínculo com legalização. Formas de documentos desta finalidade estavam normalmente em formato de inscrições votivas e de poemas cultuais.

Vestígios mostram que, desde o século V a.C., havia literatura jurídica produzida pelos romanos, exemplos disto são os fragmentos da Lei das Doze Tábuas. Esta lei foi gravada na época da República em tábuas de bronze e os juristas faziam parte de um grupo seleto do Senado. O terceiro caso, que era oratória, contribuía para habilidades de jurisprudência dos debates de casos cíveis e políticos. O orador possuía um papel importante à educação.

A produção de historiografia romana após às Guerra Púnicas liga-se com a historiografia helenística, utilizando-se igualmente da retórica. Segundo Heinze, a obra histórica de Tito Lívio se aproxima da epopeia, elevando o heroísmo do povo romano. Mesmo Catão, o Velho, que busca adicionar elementos para a escrita da história em suas obras nos anos 168-149 a.C., acabou mantendo muito do estilo e método cientifico grego.

No caso da filosofia, o gênero que buscava explicar os fenômenos da natureza e atribuir utilidade e beleza à natureza. Os mais conhecidos filósofos deste período foram Cícero e Sêneca.

Dentro dos gêneros em formato de poesia, a função do poeta era de enaltecer a homens por sua grandeza política e moral. A epopeia homérica influenciou na produção da Eneida romana, a qual conta as incursões de Eneias. A epopeia se aproxima do drama, seja por sua estrutura de enredo ou culpabilidade trágica, mas o próposito do texto épico é o triunfo das transformações e superação do herói. O drama tem maior desenvolvimento após as Guerras Púnicas, todavia, a comédia romana teve maior desenvolvimento com as contribuições de Plauto, que, influenciado por Menandro, criou obras como Aulularia. Outro gênero que se utiliza do sarcasmo e da sátira era a epigrama.

A elegia romana era composta, segundo Bickel que cita Propércio, de “‘verso de Mimnermo de grande vigor erótico’ e ‘engenhos de Calimaco y Filitas’”. Os gêneros de elegia e de epigrama demostram maior liberdade de estrutura dentre os gêneros romanos, contrapondo-se à rigidez das estruturações literárias gregas.

Desta forma, de acordo com Bickel, a literatura romana possuía gêneros variados, que foram modificados estruturalmente ao longo dos séculos junto com as alterações da língua latina. Muitas das obras romanas sobreviveram ao longo da Idade Média, o que contribuiu para que pudéssemos ter conhecimento desta produção literária.

Bibliografia:

HEINZE, R. Augusteische Die Kultur. Berlim: Teubner, 1930.