Medicina no Antigo Egito

A medicina no antigo Egito tinha o propósito de conter todos os seres maléficos e proteger o bem-estar das pessoas. Segundo Longrigg, as doenças da sociedade egípcia eram consideradas manifestações de raiva dos deuses. Desta forma, a função do médico era de apaziguar o deus e expulsar o demônio que possuiu o corpo da pessoa com doença. Mesmo ao falecer, os cuidados e preocupação com a saúde eram necessários a fim de deixar a pessoa inteiramente hábil fisicamente para o pós-morte, e, para isto, antes de fechar o sarcófago deixava as armas mágicas da pessoa junto ao seu corpo. A magia e a ciência provém do mesmo conceito que é heka. Heka significaria a arte da palavra mágica escrita. Heka não tinha conotação ruim ou ilegal.

As fontes, que sobreviveram até à atualidade não fazem diferenciação entre magia e medicina. A medicina preventiva era fundamentalmente magia que lidava com problemas que poderiam abranger desde aspectos da saúde, até expulsar inimigos ou estrangeiros do território.

O poder da magia era associado ao poder da palavra, seja ela escrita ou falada, representando-se a palavra em sua essência, e agindo-se a partir dela. Os rituais orais possuiam uma grande reputação pelo seu poder. A recitação, como foi descrito no ritual de pós-morte, abriam a boca do defunto mumificado para libertar sua alma que estava dentro do corpo.

O cosmo, para os egípcios, era estático, e o único movimento que houve foi a criação deste. Por meio dos escritos e artes de tumbas egípcias compreende-se que a perturbação desta ordem é produzida por forças do caos, as quais poderiam ser dominadas, porém não destruídas. As representações e escritos de tumbas atinham-se, em geral, ao movimento contínuo da vida. Veiga acreditava que isto se justificava pelas condições geográficas em que viviam os egípcios, desérticas com inundações periódicas do Rio Nilo, as quais moldavam todo o pensamento sobre como funcionava o mundo para este povo.

Conforme Veiga, apenas no século XIX, os egiptólogos tinham interessados em decodificar as prescrições médicas, que descreviam os ingredientes e orações dos tratamentos receitados ao paciente. A fonte de estudos destes pesquisadores eram os papiros mágicos e médicos que passaram a serem vendidos e conhecidos neste mesmo século.

De acordo com Veiga, na Egiptologia há uma variedade de ramificações nas antigas práticas egípcias em matéria de higiene, alimentação e saúde, e esses estudos começam a se tornar relevantes em algumas pesquisas dos egiptólogos, mas apenas no final do século XX. A partir da década de 1920, o estudo da literatura e decifração de hieróglifos se populariza entre os egiptólogos.

As fontes para o estudo das práticas mágicas médicas no Egito antigo são: os papiros egípcios em diferentes escritos (hieróglifos, demóticos, hieráticos, coptos, incluindo gregos), óstraco (um fragmento de cerâmica ou pedra com inscrições), literatura geral (cartas pessoais sobre conteúdo médico ou mágico); os corpos mumificados; pinturas e esculturas em tumbas; diários de viajantes estrangeiros (embora sejam posteriores à era faraônica).

Bibliografia

LONGRIGG, James. Greek Medicine: From the Heroic to the Hellenistic Age A Source Book. Nova York: Routledge, 2013, 256 p.

VEIGA, Paula Alexandra da Silva. Health and Medicine in Ancient Egypt: Magic and Science. BAR International Series 1967. Oxford: Archaeopress, 2009, 80 p.