Primeiros povos da América

Stefan Rinke destaca que os achados arqueológicos, como pontas de lanças, flechas e facas, feitas de pedra ou ossos, da cultura de Clovis, no atual Novo México (EUA), foram por muito tempo considerados a mais velha prova de existência humana e datavam de 11.500 a.C. Nesta tese acreditava-se que parte dos imigrantes deslocaram-se rapidamente ao sul da América. Os achados arqueológicos em Monte Verde, no Chile, que são do ano de 12500 a.C., promoveram o questionamento das imigrações que aconteceram milhares de anos antes da cultura de Clovis. Assim, pesquisadores elencaram uma nova possibilidade de povoamento da América com a tese de haver migração via marítima do Sudeste Asiático e da Oceania para a América. Conforme Rinke, outra questão foi levantada com a possibilidade de haver mais de um tipo de ocupação humana no território, o que pode ter se dado devido ao fato de que ou os primeiros americanos tinham origens diversas, ou eram pertencentes a um mesmo grupo de imigrantes. Esta pergunta ainda não foi respondida definitivamente.

Mapa ilustra o caminho percorrido pelos primeiros humanos na América. Ilustração: Roblespepe / via Wikimedia Commons / CC-BY-SA 3.0

Segundo Prous, os arqueólogos acreditavam, até década de 1990, que os chamados paleoíndios haviam sido os primeiros habitantes do continente, e que teriam penetrado na América pela Beríngia (Estreito de Bering). Desta forma, Prous aponta que algumas pesquisas mostram que já havia presença humana entre 11.500 e 13.000 anos atrás na América do Sul, principalmente no Monte Verde (Chile), Lapa do Boquête (Minas Gerais), Santa Elina (Mato Grosso), no Nordeste e no Monte Alegre (Amazônia). Entretanto, pesquisadores tomaram como consenso que os primeiros povoadores da América chegaram pela Beríngia, o que foi reforçado com descoberta de sítios arqueológicos, como Cactus Hill (Estados Unidos), que datam entre 12.000 e 25.000 anos, com vestígios que comprovam a existência de ocupações neste período.

Rinke indica que os primeiros habitantes da América eram caçadores e coletores que vivam da caça de animais selvagens e, com extinção e diminuição dos animais ao fim da Idade do Gelo (a partir de aproximadamente 10.000 a.C), os grupos passaram a se deslocarem em busca de alimentos. De acordo com Rinke, as pesquisas atuais apontam que as causas das extinções dos animais foram, principalmente, as mudanças climáticas e alterações da vegetação. Entretanto, algumas regiões apresentavam resquícios de povoamentos sedentarizados antes mesmo da Idade do Gelo, como é o caso de Monte Verde (Chile). O que permite entender que existiam povos que já estavam em andamento de forma pontual anteriormente. Estes povos possuíam a tecnologia para fabricarem machados e objetos de moer. Rinke cita que há indícios de que alguns povos desenvolviam meios de transporte por água para a caça de mamíferos aquáticos, o que contribuiu para o povoamento das ilhas do Caribe, como aconteceu em Trinidad (aproximadamente 5000 a.C.), Cuba e ilhas dos atuais Estados do Haiti e da República Dominicana (aproximadamente 3000 a.C.). A importância do cultivo de plantas para reserva e abastecimento permitiu que não se necessitasse do deslocamento para se alimentarem. Assim, torna-se importante a construção de alojamentos fixos, e um exemplo disto foi achado na costa peruana e no Equador, que data cerca de 3500 a.C. Além deste caso, Rinke cita a presença de cemitérios que indicariam povos fixos, como foi encontrado em mumificações da cultura dos Chinchorros (Chile), de aproximadamente 5000 a.C.

Conforme Rinke, recentemente arqueólogos descobriram na região costeira do Maranhão fragmentos de cerâmica que datam de 5.500 a 7.000 anos. Estes exemplares de cerâmica são os mais antigos do continente americano. Outra coisa verificada pelos pesquisadores é que a mandioca seja, na verdade, originária da região amazônica e que passou a ser cultivada no Peru há cerca de 4 mil anos. A propagação de processos tecnológicos e agrícolas, segundo Rinke, implicou no aumento das relações de troca.

Leia também:

Bibliografia:

RINKE, Stefan. História da América Latina: das culturas pré-colombianas até o presente. EDIPUCRS, 2012.

PROUS, André. O Brasil Antes dos Brasileiros: A Pré-história do Nosso País. Rio de Janeiro: Zahar, 2007.

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