Paratormônio

Por Débora Carvalho Meldau
O paratormônio (PTH), também conhecido como hormônio da paratireóide, é definido como um hormônio polipeptídico secretado pelas paratireóides, que liga-se a receptores de membrana em células-alvo (nos ossos, rins e intestino) e atua estimulando a captação de cálcio para o meio extracelular, aumentando a concentração sérica de cálcio e diminuindo a de fosfato. Além de exercer essa função, o PTH regula, nos rins, uma enorme gama de funções na célula epitelial, incluindo a ativação de uma enzima envolvida na síntese de calcitriol (forma ativa da vitamina D encontrada no corpo), a expressão de receptores de vitamina D e o transporte iônico de cálcio, fosfato e outros íons.

A secreção desse hormônio ocorre em resposta à hipocalcemia e é inibido pela hipercalcemia, como um dos mecanismos mais importantes de controle homeostático rápido para os níveis de cálcio no organismo.

O PTH possui dois grandes sítios de ação direta e um sítio de ação indireta para mediar seus efeitos sobre o cálcio e fosfato. Uma das ações diretas atua sobre os rins, reduzindo a absorção tubular renal de fosfato e aumentando a de cálcio e magnésio, sendo que esta ação resulta no aumento da concentração sérica de cálcio e redução da de fosfato. A segunda ação direta se dá sobre os ossos, estimulando a mobilização óssea com aumento da concentração sérica de cálcio.

Nos ossos, o PTH determina a ativação e recrutamento de osteoclastos (células que participam do processo de absorção e remodelação da matriz óssea), o que resulta em reabsorção óssea. Todavia, os osteoclastos maduros não apresentam receptores para o PTH, ao contrário de seus progenitores da medula óssea, conhecidos como monoblastos, que sofrem a ação do PTH levando a estimulação e diferenciação em osteoclastos maduros.

Já  os osteoblastos (células responsáveis pela síntese da parte orgânica da matriz óssea), que são os principais alvos do PTH, possuem enorme quantidade de receptores para este hormônio, são mais conhecidos por sua ação sobre a deposição óssea e não sobre a reabsorção óssea. Estas células também respondem ao PTH liberando fatores parácrinos (que atuam em células adjacentes), capazes de recrutar novos osteoclastos e/ou ativar os osteoclastos maduros. Dentre estes fatores, estão presentes diferentes fatores de crescimento.

Juntamente com a liberação desses fatores de crescimento, citocinas e outros fatores parácrinos, os osteoclastos respondem ao PTH através da proliferação, aumento do metabolismo, transporte iônico, síntese e secreção de proteínas da matriz óssea e de algumas enzimas.

Apesar do PTH estimular a atividade osteoclástica e osteoblástica dos ossos, há um predomínio da primeira, com a migração de cálcio e fósforo dos ossos para a corrente sanguínea.

O controle da secreção do PTH é feito pela concentração de íons cálcio presente no líquido extracelular, de modo que uma ligeira redução dos níveis deste elemento no sangue apresente capacidade de induzir sua secreção pelas glândulas paratireóides. Caso haja persistência da hipocalcemia, tais glândulas hipertrofiam; ao contrário, a hipercalcemia e/ou hipovitaminose D levam à diminuição do tamanho e da atividade das paratireóides.

Fontes:
Farmacologia Aplicada à Medicina Veterinária – Helenice de Souza Spinosa, Silvana Lima Górniak e Maria Martha Bernardi; 4° edição. Editora Guanabara Koogan, 2006.

http://pt.wikipedia.org/wiki/Horm%C3%B4nio_da_paratireoide
http://www.medicinageriatrica.com.br/2007/01/26/paratormonio-pth/