Somatostatina

Por Débora Carvalho Meldau
A somatostatina (SS), também conhecida como hormônio inibidor da liberação de GH, é um hormônio protéico sintetizado pelas células delta presentes nas Ilhotas de Langerhans pancreáticas.

Seu isolamento aconteceu, pela primeira vez, em 1973, a partir do hipotálamo de ovinos. Podem apresentar 14 (S-14) ou 28 (S-28) aminoácidos e, embora a última possa ser um pró-hormônio da primeira, ambas possuem ação predominantemente inibitória, tanto para a secreção de GH (hormônio do crescimento ou somatotrofina) quanto para a secreção de TSH (hormônio estimulante da tireóide). São encontradas em diversos tecidos extra-hipotalâmicos, como no sistema gastrointestinal, na placenta e região medular da suprarrenal, apresentando outras funções além do controle da secreção de hormônios hipofisários.

Filogeneticamente, a SS que está presente em invertebrados primitivos, como certos protozoários, surgiu antes do glucagon e dos peptídeos pancreáticos. Inibe a secreção salivar, reduzindo a secreção de ácido clorídrico e de pepsina; no pâncreas é responsável por inibir a secreção de insulina e glucagon. Nos intestinos, a SS pode levar à má absorção e diarréia aquosa, além de diminuir a filtração glomerular, o que resulta em uma redução do volume urinário.

A SS age bloqueando a liberação de GH a vários estímulos farmacológicos e fisiológicos. O seu mecanismo de ação engloba basicamente a depressão da exocitose depois de ocorrida a ligação com os receptores de membrana (pertencentes a superfamílias dos recepetores ligados à proteína G), levando à ativação de proteínas ligadoras de guanina que reduzem o AMP cíclico (AMPc), elevando o efluxo de potássio e reduzindo a concentração do cálcio presente no citosol das células.

A meia-vida da SS endógena é pequena, menos de 3 minutos, e sua metabolização é feito por endopeptidases no sistema nervoso central, no plasma sanguíneo e no fígado.

Os análogos sintéticos da SS possuem uma meia-vida maior, e também, uma maior seletividade de ação quando comparada com a SS endógena. Podem ficar na circulação sanguínea por mais de 3 horas, apresentando um potencial de redução da secreção do GH 45 vezes maior que a SS endógena. Na terapêutica é utilizada, principalmente, no tratamento de acromegalia. É utilizada também em casos de fístulas pancreáticas e intestinais, no tratamento de neoplasias secretoras endócrinas do trato gastrointestinal e em casos de hemorragia gastrointestinal severa e aguda. No tratamento da cetoacidose diabética, atuam como coadjuvantes.

Fontes:
http://pt.wikipedia.org/wiki/Somatostatina
http://www.misodor.com/FARMACON/SOMATOSTATINA.html

Farmacologia Aplicada à Medicina Veterinária – Helenice de Souza Spinosa, Silvana Lima Górniak e Maria Martha Bernardi; 4° edição. Editora Guanabara Koogan, 2006.