Banco de Dados Geográficos

Por Anderson Maciel Lima de Medeiros
No contexto do Geoprocessamento, a criação e desenvolvimentos dos chamados Banco de Dados Geográficos (BDG) tem sido cada vez mais explorada, em vista de sua ampla potencialidade de aplicação.

Em certo sentido, todo local, físico ou virtual onde são armazenados dados pode ser considerado um banco de dados. O próprio site que você está acessando pode ser considerado, sob este ângulo, um banco de dados.

Já nos casos onde dados são armazenados (em meio digital) na forma de tabelas relacionáveis entre si através de campos chaves, temos o que é chamado de banco ou base de dados relacional. Este tipo de banco de dados convencional é hoje utilizado pelos mais diversos ramos de atividade.

Para gerencia de banco de dados convencionais faz-se uso de softwares chamados Sistemas Gerenciadores de Banco de Dados (SGBD). São exemplos de programas desse tipo: PostgreSQL, MySQL, Access e Oracle.

Diferenciais dos BDG

Os Bancos de Dados Geográficos, também são chamados de Banco de Dados Espaciais (BDE). Sua estrutura de funcionamento é semelhante ao descrito acima, com a grande diferença de suportar feições geométricas em suas tabelas.

Os BDE oferecem a possibilidade de análise e consultas espaciais. Em outras palavras esse tipo de banco possibilita a realização de cálculos como áreas, distâncias e centróides, além de realizar a geração de buffers (zona de influência) e outras operações entre as geometrias.

Os SGBD convencionais não suportam a implementação de BDG de forma nativa. Por isso, diversas empresas desenvolvedoras desses programas criaram extensões espaciais que possibilitam trabalhar com esse tipo de informação espacial. Um exemplo do uso dessas extensões é o PostGis, que é a extensão espacial do famoso SGBD de código aberto PostgreSQL.

A figura abaixo mostra a relação entre o BDG, o PostgreSQL (SGBD) e o PostGis (sua extensão espacial).

Ao construir um banco de dados geográficos será possível realizar consultas tais como:

  • “Que cidades são vizinhas ao município de Jacaraú?”
  • “Que municípios são cortados pelo Rio Paraíba do Sul?”
  • “Que quadras estão num raio de um quilômetro em relação ao local onde ocorreu determinado assalto?”
  • “Que distância entre a comunidade rural e a escola mais próxima?”

Note que essas questões não podem ser respondidas através de um banco de dados convencional, pois estes não armazenam a componente espacial, nem relações de topologia, como adjacência e pertinência. Apenas um BDG permitiria que essas questões fossem respondidas com base na posição geográfica de cada elemento do banco.

Para visualização da realidade armazenada no banco, diversos softwares de SIG como o gvSIG podem ser integrados aos SGBD com função espacial.

Leia também:

Referências:

CÂMARA, G., CASANOVA, M.A., DAVIS JUNIOR, C., VINHAS, L., QUEIROZ, G. Banco de Dados Geográficos, Curitiba, Editora MundoGEO, 2005. Disponível em: < http://www.dpi.inpe.br/livros/bdados/capitulos.html> Acesso em 06 de Abr. de 2010.

CÂMARA, G., DAVIS JUNIOR, C., MONTEIRO, A. M. Introdução à Ciência da Geoinformação, INPE. Disponível em: <http://www.dpi.inpe.br/gilberto/livro/introd/> Acesso em 05 de Abr. de 2010.

MEDEIROS, A.M. L. O Geoprocessamento e suas Tecnologias – Parte 2, 2010, Disponível em: <http://blog.geoprocessamento.net/2010/01/geo-e-suas-tecnologias2/>  Acesso em 05 de Abr. de 2010.

MEDEIROS, A.M. L. Conectar Banco de Dados PostGis com o gvSIG 1.1.1, 2009, Disponível em: < http://www.clickgeo.com.br/ConectarPostGis-gvSIG.pdf>  Acesso em 06 de Abr. de 2010.