Ciberestética

Hoje, em pleno universo digital, o Homem transita por um novo território, conhecido como ciberespaço, uma esfera de interconexão que prescinde da presença material do ser humano para que se estabeleça um processo de comunicação interativa. Desta forma sobra espaço para a fantasia, imprescindível para que se gere uma identidade anônima, a qual será compartilhada com as outras pessoas.

Nesta esfera inovadora surge uma nova linguagem, que traduz novas formas de relacionamento, envolvendo o homem, o meio ambiente, os animais e a tecnologia. É neste contexto que se destaca cada vez mais a ciberestética, a mais contemporânea vertente da Estética.

A ciberestética investiga os processos que regem os sentidos subversivos de um corpo que atua, raciocina e sente virtualmente, ao interagir com interfaces – recursos lógicos que permitem o intercâmbio de dados entre dois sistemas – que lhe abrem as portas para um universo não material, presente não só no computador, especialmente na Internet, mas também nos celulares, em chips, transistores, câmeras ópticas, GPS, entre tantos outros mecanismos.

Modernas percepções exigem formas alternativas de ver o mundo, de compreender as relações com o próprio Universo. É no âmbito destas conexões desdobradas no interior de um ciberespaço cada vez mais arraigado ao corpo físico, por meio de teclados, mouses, modens, câmeras e toda espécie de equipamento sensorial, que se torna imprescindível a existência de uma disciplina que estude e torne compreensível este processo.

O corpo se transforma sensorialmente ao realizar uma síntese de seus estímulos energéticos com os do computador, cada vez mais provido de inteligência artificial. É possível, assim, gerar no ciberespaço um número crescente de novas vidas, híbridas, semi-artificiais, que provocam nos sentidos humanos uma verdadeira metamorfose. Isto ocorre, por exemplo, no Second Life, jogo digital que se tornou muito conhecido, no qual as pessoas podem criar seus avatares – personalidades virtuais -, e assim desenvolver vidas completamente alternativas.

Esta simulação ajuda a compreender melhor a amplitude assumida pelo universo digital, quando é possível estabelecer verdadeiras redes urbanas no ciberespaço, gerando comunidades, congestionamentos, homepages, uma vivência virtual, ao lado da real. No Second Life até mesmo negócios são realizados na esfera virtual. Da mesma forma emergem relações afetivas que dificilmente poderiam ser definidas como reais ou imaginárias, pertencendo portanto a um âmbito ainda parcialmente desconhecido, o da natureza virtual.

As emoções e os sentidos mobilizados nesta experiência tecnológica, as experiências artísticas e sensíveis nascidas desta interação, que não exclui operações matemáticas extremamente complexas, ocultas em softwares de alto desempenho, criados para que todas estas vivências híbridas possam ser realizadas, são hoje pesquisados a fundo pela Ciberestética. Esta vertente estética tenta compreender, alcançar as consequências desta nova interação energética do corpo e da mente humana, imbuídos de todo seu poder cognitivo, com a inteligência artificial – ambos vinculados pela energia elétrica, presente em todo o Universo.

Fontes:
http://www.danielmelo.net/?p=154
http://pt.wikipedia.org/wiki/Ciberespaço
http://artecno.ucs.br/proj_tecnicos/ciberarte.htm