Bicho-da-seda

Graduada em Ciências Biológicas (UNESP, 2001)
Mestre em Agronomia (UNESP, 2005)
Especialização em Gestão Ambiental (Anhanguera, 2010)

A seda é um tecido muito valorizado em todo mundo, mas, você conhece a origem desse tecido? Ela é obtida a partir criação da espécie de inseto Bombyx mori também chamado de bicho-da-seda. A origem da utilização desse inseto é na China, por volta de 2.698 a.C. (Gallo, 2002). O bicho-da-seda pertence a Ordem Leptidoptera, Superfamília Bombycoidea, família Bombycidade. É uma mariposa de tamanho médio, de coloração branca, que se alimenta das folhas da amoreira.

Bicho-da-seda (Bombyx mori). Foto: P.gibellini / domínio público / via Wikimedia Commons.

Atualmente, a produção dos casulos concentra-se na região centro-sul, sendo que nos estados de São Paulo e Paraná localizam-se as indústrias de fiação. De acordo com o Departamento de Economia Rural do SEAB (Secretaria de Estado de Agricultura e Abastecimento) do Estado do Paraná, a seda pode ser considerada uma fibra ecológica, pois é obtida a partir do casulo de bicho-da-seda, com pequenas quantidades de fertilizantes e praticamente sem inseticidas.

No entanto, a produção da seda corresponde a menos de 1% das fibras têxteis, e teve um declínio considerável no Brasil e também mundialmente nas últimas décadas.

A China é o maior produtor mundial de seda com 126.002 toneladas em 2012, valor que se manteve praticamente constante desde 2007. No Brasil, a produção em 2012 foi de 500 toneladas e 1.300 toneladas em 2007. Atribui-se a essa queda o valor da mão-de-obra que na China é mais barata e não permite competição com outros países (SEAB, 2014).

Biologia do bicho-da-seda

O bicho-da-seda é uma mariposa de coloração branca, coberta por pelos e não voa (aptésicos). Vivem de 10 a 16 dias, tempo suficiente para colocarem de 300 a 400 ovos. Produz na fase larval uma substância mucilaginosa que reveste o inseto e, ao entrar em contato com o ar, endurece. Essa substância tem a função de proteger e provocar um retardamento no seu desenvolvimento.

Para seu desenvolvimento, as lagartas sofrem quatro mudas de exoesqueleto e cinco instares. As lagartas possuem um par de glândulas sericígenas na região latero-ventral do corpo. Essas glândulas desembocam e uma fiandeira que fica entre os palpos labiais, responsável pela produção do fio da seda. Com esse fio de seda a lagarta constrói o seu casulo e nele fica até transformar-se em uma crisálida. Esse período dura de 10 a 15 dias.

Como criar o bicho da seda?

Como o bicho da seda alimenta-se somente das folhas de amoreira, então para ter uma criação de bicho da seda é preciso cultivar essa planta. Assim, o sucesso da criação depende dos cuidados dispensados com a cultura de amoreira.

Segundo Gallo et. al. (2012), as folhas da amoreira atuam como nutriente para seu desenvolvimento e que as glândulas sericígenas secretem um produto que ao entrar em contato com o ar endurece e forma o fio da seda. Deve-se escolher um terreno pouco inclinado ou plano, plantar entre os meses de abril a agosto e adubar o solo e promover a poda após 6 a 8 meses do plantio.

As folhas da amoreira são então colhidas e colocadas em um depósito de folhas. As lagartas de bicho-da-seda são criadas na sirgaria, que é o local onde se desenvolvem as lagartas de terceira, quarta e quinta idades (instares).

Referências bibliográficas:

GALLO, D. (in memorian) et. al. Entomologia Agrícola. Piracicaba: FEALQ, 2002.

SEAB – Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento DERAL- Departamento de Economia Rural Sericicultura. Dezembro de 2014. Disponível em: http://www.agricultura.pr.gov.br/arquivos/File/deral/Prognosticos/sericicultura_2015.pdf.

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