Disfemismo

Leia a frase a seguir:

“Está falando de quem aí, seu rolha-de-poço.”

(rolha-de-poço= pessoa baixa)

Nessa oração, observe que a expressão “rolha-de-poço” foi usada para intensificar de maneira pejorativa uma característica comum a um ser (pessoa gorda). Desta forma, temos um caso de disfemismo.

O que é, então, disfemismo?

Definindo: disfemismo é o oposto do eufemismo. Enquanto no eufemismo ocorre uma suavização expressões desagradáveis (“passar desta para a melhor”, por exemplo, em vez de simplesmente “morrer”), no disfemismo há uma substituição de termos normais por outros mais vulgares.

“Na hora do boião, comeu como um cão faminto”.

(boião=refeição)

“Alguém viu a Olívia-palito saindo?”

(Olívia-palito= pessoa magra)

“Não gostei da recepção. Estava um fuzuê danado”.

(fuzuê=desorganização)

“Quem é que vai querer dançar com um pintor-de-rodapé?”

(pintor-de-rodapé=pessoa baixa)

O disfemismo é comumente empregado na oralidade. Como a língua falada é heterogênea e dinâmica, algumas dessas expressões caem em desuso, para dar lugar a outras mais atualizadas.

Exemplo disso são as expressões “cabueta”, “dedo-duro”, “linguarudo”, “boca aberta” cujo sentido remete tanto a uma pessoa que fala demais, como também àquele que fala o que não deveria. Raramente ouvimos os jovens usando essas expressões. Atualmente é mais comum usarem “x-nove”.

Referências:

PIRES, Orlando. Manual de Teoria e Técnica Literária. Rio de Janeiro, Presença, 1981, p. 102.

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