Pleonasmo

Por Paula Perin dos Santos
Observe as seguintes afirmações:

“Eu canto um canto matinal”. (Guilherme de Almeida)
“A ameaça, o perigo, eu os apalpava quase”. (Guimarães Rosa)

Na primeira afirmação, o escritor utiliza o verbo cantar, que já traz consigo a idéia de canto (quem canta, logicamente canta um canto). Na segunda, de Guimarães Rosa, os vocábulos “ameaça” e “perigo” fazem parte de um mesmo eixo significativo: são sinônimas. Entretanto, o escritor usou as duas, a fim reforçando a idéia que queria transmitir.

Quando fazemos uso de expressões redundantes com a finalidade de reforçar uma idéia estamos utilizando a figura de linguagem chamada pleonasmo. Quando bem elaborada, além de embelezar o texto, esta figura de linguagem intensifica e destaca o sentido da expressão onde foi empregada.

“A vida, não vale a pena nem a dor de ser vivida”. (Manuel Bandeira)

Deve-se evitar, entretanto, o uso de pleonasmos viciosos. Estes não têm valor de reforçar uma noção já implicada no texto. Antes são fruto do desconhecimento do sentido das palavras por parte do falante. O pleonasmo vicioso é muito utilizado na modalidade oral, o que acaba influenciando a modalidade escrita. Veja alguns exemplos:

“Menino, entre já para dentro”.

“Eu fui fazer um hemograma de sangue hoje de manhã”.

“Joana sofre de leucemia no sangue”.

“Eu vi com esses olhos que um dia a terra há de comer”.

“A protagonista principal do filme ‘O sorriso de Monalisa’ é Julia Roberts”.

Fontes
SAVIOLE, Francisco Platão. Gramática em 44 lições. 15 ed. São Paulo, Ática, 406.
TUFANO, Douglas. Estudos de Língua Portuguesa – Minigramática. São Paulo, Moderna, 2007.