Polissíndeto

Por Paula Perin dos Santos
Polissíndeto e assíndeto possuem características opostas. Enquanto assíndeto é a figura de linguagem que omite conectivos entre as orações que estão em seqüência, polissíndeto é a figura que consiste em repetir os conectivos entre as orações dispostas em seqüência.

Observe esses exemplos:

“Se era noivo, se era virgem,
Se era alegre, se era bom,
Não sei.
É tarde para saber”. (Carlos Drummond de Andrade)

“Há dois dias meu telefone não fala, nem ouve, nem toca, nem tuge, nem muge”. (Rubem Braga)

Nos versos de Drummond, veja que houve a repetição da conjunção “se”; na afirmação de Rubem Braga, o que se repete é a conjunção “nem”, uma maneira bem criativa e cômica de se dizer que o telefone dele não funcionava de maneira alguma.

Para diferenciarmos bem polissíndeto de assíndeto, leia esta afirmação:

“Trejeita, e canta, e ri”

Neste exemplo, houve a repetição do conectivo “e”: temos, portanto um caso de polissíndeto. O mesmo exemplo seria assíndeto se estivesse sem as conjunções, desta maneira:

“Trejeita, canta, ri”

Fontes
SAVIOLE, Francisco Platão. Gramática em 44 lições. 15 ed. São Paulo, Ática, 405.
TUFANO, Douglas. Estudos de Língua Portuguesa – Minigramática. São Paulo, Moderna, 2007.