Sintaxe

Por Paula Perin dos Santos
A Sintaxe surgiu como disciplina lingüística independente apenas no final do século XIX. Quem primeiro manifestou interesse pelos fenômenos sintáticos foi John Ries, em seu trabalho “O que é Sintaxe?”, em 1894. Mas foi a partir das idéias de Saussure, lingüista suíço, no início do século XX, que a Sintaxe foi adquirindo consistência de disciplina autônoma.

Ela se diferencia claramente da Fonologia e da Morfologia pois, enquanto a primeira estuda os sons da língua e a outra estuda a estrutura dos vocábulos, a Sintaxe constitui seu foco de análise na sentença, ou seja, ela estuda a função dos vocábulos dentro de uma frase.

A Gramática Tradicional trabalha a Sintaxe sob a forma de “análise sintática” que, como sabemos, consiste em classificar os vocábulos em sujeito, predicado ou outros “termos acessórios da oração” (adjunto adverbial, adnominal, aposto). Do ponto de vista lingüístico, temos a Gramática sintagmática que, em oposição à Gramática Tradicional, fornece meios mais adequados e simplificados para a descrição estrutural das orações.

O sintagma consiste num conjunto de elementos que constituem uma unidade significativa dentro da oração e que mantém entre si relações de dependência e de ordem, organizados em torno de um elemento fundamental denominado núcleo que pode, por si só, constituir o sintagma.

Considere as seguintes sentenças:

João guardou os livros na prateleira.
O guarda está dormindo no posto.
Meu filho adormeceu.
Você levará a marmita amanhã.

Quando o núcleo é um elemento nominal (nome ou pronome), como João, o guarda, meu filho, você, trata-se de sintagmas nominais. Já em: guardou os livros na prateleira, está dormindo no posto, adormeceu, levará a marmita amanhã, o elemento fundamental é o verbo, de modo que se têm, no caso, sintagmas verbais.

A natureza do sintagma vai depender do tipo de elemento que constitui seu núcleo. Além do sintagma nominal (SN) e verbal (SV), existem os sintagmas adjetivais, cujo núcleo é um adjetivo e os sintagmas preposicionados, geralmente formados de preposição + sintagma nominal.

O meio como se analisa os sintagmas de uma sentença é chamado de sistema arbóreo, e é bem mais simples do que a análise sintática da Gramática Tradicional. Veja o exemplo abaixo:

Estas rendas são do Ceará.

Nesta sentença, o determinante “Estas” e o nome “rendas” constituem o sintagma nominal; o determinante “o” juntamente com o nome “Ceará” formam um sintagma nominal que, somado à preposição “de” formam o sintagma preposicionado. Este, mais a cópula “são”, nome dado ao verbo de ligação, continuem o sintagma verbal que, adicionado ao sintagma nominal, formam a oração.

Fontes
CAGLIARI, Luiz Carlos. Alfabetização e Lingüística. 10 ed. São Paulo: Scipione, 1997, p. 42-9.

SOUZA e SILVA, Maria Cecília Pérez de & KOCH, Ingedore Grunfeld Villaça. Lingüística aplicada ao Português: Sintaxe. 7ed. São Paulo: Cortez, 1996, p. 11-35.