A Crítica literária de Harold Bloom

Por Ana Lucia Santana
Harold Bloom é um dos intelectuais mais ativos no campo da literatura neste mundo contemporâneo. Suas críticas não são elaboradas com o intuito de agradar uns e outros; este norte-americano, nascido no dia 11 de julho de 1930 na cidade de Nova Iorque, é respeitado até hoje como um humanista acirrado, pois sempre apoiou a poesia romântica do século XIX, ainda que, nesta apologia, nadasse contra a maré de seu tempo.

Suas teses sobre a literatura são essencialmente polêmicas, principalmente quando ele discorre sobre a questão da influência literária, uma preocupação contínua em sua obra. Bloom aborda este conceito desde seu livro A Angústia da Influência, publicado em 1973. Nele o teórico elabora uma reflexão sobre os esforços desmedidos dos escritores para alcançarem a tão sonhada obra singular, sem influxo algum dos autores que lhes antecederam.

Harold defende que sempre se irá encontrar, em cada obra, por mais clássica e única que ela pareça, traços de outros criadores, os quais, por sua vez, beberam também em fontes alheias para compor suas produções literárias. Muitos críticos, artistas e militantes culturais alegam que, em sua obra, o estudioso privilegia o universo ocidental, de etnia branca e, preferencialmente, escritores mortos.

Para distinguir criadores realmente significativos daqueles que, a cada época, são eleitos como autores importantes apenas por conta de uma súbita decadência de valores, que implicam na adoção de critérios distintos e suspeitos, Harold Bloom criou o conceito de Cânone, ou seja, uma relação das produções literárias essenciais. Esta ideia é desenvolvida em seu livro O Cânone Ocidental, lançado em 1994.

Outra concepção aplicada nas críticas de Bloom é a de ‘gênio’, que é definida pelo pesquisador como uma miscelânea de registros individuais colhidos em suas leituras; ele considera o ato de ler uma iniciativa pessoal, e que seu papel como crítico é conceder ao leitor um arsenal mais prático do ofício literário, estimulando-o a ler cada vez mais. Quem desejar se aprofundar mais sobre este seu conceito deve ler o livro Gênio, Os 100 Autores Mais Criativos da História da Literatura, de 2003.

Por outro lado, ele admite que a ideia de gênio foi aposentada pelos acadêmicos praticamente desde o século XIX. Muitos destes pesquisadores rejeitam este conceito por considerá-lo um vestígio do romantismo místico deste período. Mas Bloom insiste, em seu livro, na busca dos gênios de todas as eras e culturas. Entre estes escritores geniais, ele destaca Shakespeare, Dante, Cervantes e Milton. No idioma português ele acrescenta o nome de Machado de Assis como o maior da literatura brasileira, e o do poeta Fernando Pessoa, ao lado de Camões.

Bloom é também um grande apaixonado pela obra do britânico William Shakespeare; a este autor e a sua produção literária ele dedicou dois ensaios dignos de nota, Shakespeare - A Invenção do Humano e Hamlet - Poema Ilimitado.

Fontes:
http://veja.abril.com.br/220206/p_106.html
http://www.revista.agulha.nom.br/hbloom.html
http://pt.wikipedia.org/wiki/Harold_Bloom