A epifania na obra de Clarice Lispector

Clarice Lispector é uma escritora do período modernista do Brasil que se destacou pelo grande grau de subjetividade presente em sua obra.

Marcada por clássicos, como A Hora da Estrela, A paixão segundo G.H e uma lista quase interminável de contos, a obra de Clarice costuma ter uma temática voltada para questões existenciais e para a história da mulher na sociedade. Apresenta também uma característica que se sobressai que é a epifania.

Essa característica presente em seus contos e romances é um evento - geralmente um corriqueiro, banal, e bastante cotidiano - do personagem que, de repente, altera seu estado emocional, o levando a uma confusão, a uma desestabilização interior.

Daí, o leitor é convidado a assistir a um turbilhão de pensamentos e agitações - o clímax da história - em que o personagem revê sua forma de ver a vida (dentro da situação em que se encontra) para a partir daí recomeçar.

O personagem retorna ao seu equilíbrio emocional com uma nova visão, um aprendizado extraído do seu momento de confusão.

A obra de Clarice apresenta uma surpreendente criatividade ao criar um enredo a partir de coisas banais, de onde menos se espera que possa ser um motivo de reflexão.

A partir da epifania, Clarice começa a discorrer sobre questões intimistas e universais sem se apoiar em padrões.

Fonte:
http://www.periodicos.ufrn.br/index.php/odisseia/article/view/2056/1490

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