Comparação ou Símile

Por Paula Perin dos Santos
Assim como a metáfora, a comparação, ou símile, baseia-se numa relação de semelhança. São distintas, porém, na maneira como estabelecem essa relação. Na metáfora, ocorre de maneira implícita; na comparação, de forma explícita, através de uma partícula comparativa pra interligar os elementos em confronto, em forma de analogia.

Vamos observar como isso ocorre nesses versos de Cecília Meireles:

“Meu coração tombou na vida
tal qual uma estrela ferida
pela flecha de um caçador”.

Veja que o eu lírico compara o termo “coração” a “estrela”, aproximando-os pela sua semelhança, de modo que podemos atribuir as características de “estrela” a “coração”. Essa relação de similaridade ocorre através do elemento comparativo “tal qual”.

Nesses versos de Roseana Murray, encontramos comparações com o elemento comparativo “como”:

“Para a florista,
as flores são como beijos
são como filhas,
são como fadas disfarçadas”.

Aqui a comparação se dá de maneira explícita, com o intuito de descrever o sentimento da florista em relação às flores, comparando-as com “beijos” (demonstração de afeto), “filhas” (instinto maternal, proteção) e com “fadas disfarçadas” (mistério, fantasia).

O mesmo exemplo seria metáfora se a poetisa optasse por:

“Para a florista,
as flores são beijos
são filhas
são fadas disfarçadas”.

Comparação é, portanto, a figura de linguagem que consiste em aproximar dois seres em função de alguma semelhança existente entre eles, de maneira que seja possível atribuir as características de um a outro, e sempre por meio de um elemento comparativo explícito, que pode ser: como, que nem, semelhante a, tal qual, entre outros.

Fontes
CEREJA, William Roberto e MAGALHÃES, Thereza Cochar. Literatura Brasileira em diálogo com outras literaturas. 3 ed. São Paulo, Atual editora, 2005, p.35-6.
PIRES, Orlando. Manual de Teoria e Técnica Literária. Rio de Janeiro, Presença, 1981, p. 101.
SAVIOLE, Francisco Platão. Gramática em 44 lições. 15 ed. São Paulo, Ática, 404.