Escolas literárias

Mestre em Literatura Brasileira (UERJ, 2010)
Graduada em Letras e Literatura (UERJ, 2008)

É comum que se pense que a Literatura, por ser arte, não apresenta estudo científico. Entretanto, isso não é verdade. Existe estudo sistemático da Literatura a que chamamos de crítica literária. É a crítica literária que estabelece o conceito de Escola literária.

Chamamos de Escola literária as manifestações literárias ligadas por denominadores comuns, ou seja, obras que tenham características afins. Entre essas características está a língua, o tema, a estética (as características literárias do texto como as figuras de linguagens recorrentes, por exemplo), o papel social, a natureza social (o contexto social), a natureza psíquica ou filosófica, o conjunto de autores (conscientes de seu fazer literário) e o público. Esses denominadores juntos formam um sistema com continuidade literária (um projeto literário) que, situado cronologicamente, estabelece o que chamamos de Escola de época, Escola Literária, Movimento literário ou Estilo de época. Para ser considerado um movimento literário, a produção literária tem que, necessariamente, fazer parte de um projeto literário (de um sistema). Assim, textos de autores com mesmas características num mesmo período histórico, sob mesmo contexto social e sob mesma influência filosófica pertencem a uma mesma Escola literária.

Quando um texto pertencente a um movimento apresenta particularidades, chamamos de Geração (geração de 30, no Modernismo ou Primeira Geração, no Romantismo, por exemplo). Já períodos entre movimentos são considerados Período de transição: por exemplo, após o Trovadorismo e antes do Classicismo, houve a Segunda época medieval ou Humanismo. Também ocorreu um período de transição após o Simbolismo e antes do Modernismo, o pré-modernismo. Os períodos de transição não apresentam projeto literário para ser considerado um movimento, mas se distanciam do movimento vigente. O humanismo se distanciava do Trovadorismo, mas não chegava a ter um projeto literário próprio.

No Brasil, dividimos os movimentos literários em duas grandes eras: Era Colonial (Quinhentismo, Barroco, Arcadismo) e Era Nacional (Romantismo, Realismos, Naturalismo, Parnasianismo, Simbolismo, Modernismo, Concretismo, Literatura contemporânea). Os movimentos literários, no Brasil, iniciam-se com a chegada dos portugueses, em 1500 (e a Carta de Caminha) e o limite entre as eras é a Independência do Brasil em 1822 (início da Era nacional). Na Europa, além das escolas literárias que existem no Brasil, temos algumas anteriores a 1500: Trovadorismo, na Idade Média (e o período de transição denominado Humanismo) e o Classicismo (durante o Renascimento, na Idade moderna).

É importante ressaltar que em Literatura (e em toda arte) nada é estático, ou seja, é perfeitamente possível que um texto com caraterísticas barrocas (escola literária do século XVII) seja escrito hoje. O estudo que fazemos da arte literária, entretanto, segue a cronologia histórica mais por questões didáticas que por questões estéticas. Como toda arte, a literatura também é influenciada pelo contexto social (natureza social) do momento no qual foi escrita, portanto, não haveria sentido estudar a estética Realista, influenciada pelo darwinismo e pelo positivismo de Comte do século XIX para depois estudar a estética Barroca influenciada pela Contra-Reforma do século XVII.

Os movimentos literários são, portanto, uma maneira de sistematizar didaticamente os estudos literários.

Bibliografia:

CANDIDO, Antonio. Formação da Literatura Brasileira. Rio de Janeiro, Ouro sobre azul, 2007, pp. 25-7.

BOSI, Alfredo. História concisa da literatura brasileira. São Paulo, Cultrix, 2012.

BONET, Carmelo M. Crítica literária. São Paulo, Editora Mestre Jou, 1969.

Portella, Eduardo. Fundamentos da investigação literária. Rio de Janeiro, Tempo brasileiro, 1981.