Estilo de James Joyce

O único cenário que James Joyce conseguiu enxergar foi a Irlanda. Apesar de ter passado grande parte de sua vida viajando pela Europa, onde viveu em Trieste, Zurique e Paris, o escritor só conseguia falar sobre sua aldeia. Todas as suas obras são ambientadas com foco na capital irlandesa, Dublin. Escrevendo sobre sua cidade natal, transportava para o papel histórias inspiradas pelo relacionamento que tinha com a sua família e os contratempos que viveu na época da escola e da faculdade. Joyce recriava sua própria Irlanda e vivia fora dela, por isso, é considerado um escritor cosmopolita e, ao mesmo tempo, particularista.

Na poesia, Joyce foi influenciado pelo lirismo e pelo simbolismo, pois seus versos eram criados para soarem como letras de música. Seus poemas apresentavam objetividade, visualidade, neologismos e arcaísmos. Devido a isso, Ezra Pound o considerava um dos poetas mais iminentes do Imagismo, escola que defendia a utilização de linguagem coloquial, ritmos sonoros inovadores que ultrapassassem a métrica, liberdade temática, versos livres e apresentação imagética nas busca do detalhe com precisão. Um de seus trabalhos mais elogiados por Pound foi “Poemas, um Tostão Cada”, publicado em 1927. Nesta obra, Joyce demonstra uma grande aproximação da radicalidade conferida em seus ousados romances.

Em seu estilo narrativo, as características mais marcantes são o fluxo de consciência, as livres associações oníricas e as alusões literárias. Esses elementos podem ser encontrados de forma extremada no livro “Finnegans Wake”.  Lançada em 1939, esta obra experimental de Joyce tem uma narrativa árdua, alegórica e com múltipla utilização de trocadilhos, negando as formas convencionais de construção de personagens e enredo. Em "Jabberwocky", livro de Lewis Carroll lançado em 1871, é encontrada uma abordagem parecida.

Uma influência de James Joyce em relação à visão histórica que propôs em “Finnegans Wake” é Giambattista Vico, filósofo italiano que apresentava a ideia de uma abordagem cíclica da história. Nela, o processo civilizatório surgia do caos para ser dominado, respectivamente, pela teocracia, aristocracia, democracia e depois retornar ao caos. Em outro aspecto, a metafísica de Giordano Bruno de Nola, teólogo, filósofo, escritor e frade de origem italiana, pode ser encontrada no que se refere às inter-relações entre os personagens. No caso de Vico, a influência é claramente percebida nas primeiras e nas últimas frases de “Finnegans Wake”. O autor coloca a primeira sentença na última página e a última sentença na primeira página, o que faz o livro se tornar um ciclo.

Fontes:
http://www.ricorso.net/rx/library/authors/classic/Joyce_J/Criticism/G_Bruno.htm
http://en.wikipedia.org/wiki/James_Joyce
http://educacao.uol.com.br/biografias/james-joyce.jhtm
http://muse.jhu.edu/journals/journal_of_colonialism_and_colonial_history/summary/v010/10.1.bullock.html

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