Ficção Científica nas Revistas e nos Gibis

A ficção científica surgiu como gênero literário em 1817, porém a primeira revista especializada no gênero só foi criada em 1926, nos EUA, por Hugo Gernsback, a Amazing Stories (Histórias Incríveis). A revista entrou para a história da ficção científica e em 1985-87 Steven Spielberg produziu uma série homônima , também de grande sucesso.

Hugo Gernsback já havia publicado outras revistas (Modern Electrics – 1908, Electrical Experiments – 1912, Science and Inventation – 1920, Scientific Fiction Number – 1923 – uma edição especial da anterior) e percebera que a mistura de ciência com a mídia poderia render bons frutos.

A primeira capa da Amazing Stories foi desenhada por Frank Rudolph Paul, um famoso artista australiano que a fez baseada na obra de Julio Verne. A revista pulp (tipo de revistas feitas com material barato) fez tanto sucesso que Gernsback em pouco tempo já controlava várias outras revistas e em 1946 foi criado o “Prêmio Hugo” (Hugo Awards) para as melhores obras de ficção científica que a partir de 1955 passou a ser anual. O primeiro prêmio, em 1946, foi para Isaac Asimov por The Mule de 1945. Outras publicações de Gernsback relacionadas à ficção científica foram Science Wonder Stories e Air Wonder Stories.

De 1926 a 1938 houve uma verdadeira explosão de publicações relacionadas à ficção científica e a qualidade de algumas descontentou o público e os críticos. A ficção científica, que já não era vista com muitos bons olhos pelos escritores de outros gêneros literários (e nem era considerada um gênero literário ainda) amargou dias ruins.

Mas, felizmente, em 1938 um cara chamado John W. Campbell virou editor da revista Astouding Stories, rebatizando-a de Astouding Science Fiction e trazendo uma nova proposta para a ficção científica: a de que ela fosse mais racional e humana.

Apoiado por escritores de peso como Isaac Asimov, A. E. van Vogt, Theodore Sturgeon e Robert Heinlein que tiveram suas primeiras obras publicadas na Astouding, Campbell inaugura a ressurreição da ficção científica para a literatura e pela primeira vez ela é reconhecida como gênero literário (ainda que a maioria de suas publicações fossem em periódicos). Acontece que essa legitimação da ficção científica como gênero literário fez com que a publicação destas obras em periódicos perdesse força, embora ambas as revistas permanecessem ativas e ainda servissem de referência para os novos escritores. Basta lembrar que durante um bom tempo as publicações da Astouding abarcaram a maioria dos Prêmios Hugo, inclusive o primeiro de 1946.

Outras revistas que publicavam ficção científica surgiram na época como a “Galaxy”, ou “The Magazine of Fantasy and Science Fiction” e a “Fantastic”, algumas revistas dedicadas exclusivamente à ficção científica ou de "Space Operas" surgiram mais tarde como a “Startling”, “Thrilling Wonder” e “Planet Stories”.

Mas a partir de então, a ficção científica teria seu maior refúgio como periódico nas revistas em quadrinhos. Neste tipo de publicação, que tem suas origens em publicações bem anteriores à II Guerra Mundial (em 1846 foi publicada a primeira revista exclusivamente dedicada a histórias ilustradas, a americana Yanklee Doodle) mas que só adquiriu sua identidade definitiva em meados da década de 30 (em 1933 foi lançada a primeira revista em quadrinhos dos EUA a Funnies on Parade), a ficção científica, principalmente com histórias que falam de criaturas especiais (os super-heróis) ganhou novo fôlego.

Em 1928 a Amazing lançou uma edição em que apresentava o personagem Anthony “Buck” Rogers (Armageddon – 2419). No ano seguinte surgiu uma história em quadrinhos deste personagem nos EUA que fez enorme sucesso até o surgimento de outros personagens, em quadrinhos, como Flash Gordon e Brick Bradford na década de 30.

Todos estes personagens tinham suas aventuras baseadas nos enredos dos grandes autores da ficção científica da chamada “Era Dourada”, com naves espaciais e seres extraterrestres.

Entretanto, depois que a Detective Comics (DC Comics -1937) criou o primeiro super-herói com poderes sobre-humanos (O Super Homem, criado por Jerry Siegel e Joe Schuster em 1938) a ficção científica nas histórias em quadrinhos volta e meio se confunde com histórias fantásticas e de terror.

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